25.09.2020  /  21:37

“Acho um saco. Hoje tudo é racismo, preconceito e assédio”, pondera Glória Maria em sua primeira live. Play para conferir o papo com Joyce Pascowitch

Glória Maria em papo com Joyce Pascowitch || Créditos: Reprodução

Glória Maria pode ser considerada a brasileira há mais tempo em quarentena: 10 meses. Na sua estreia em lives, nessa sexta-feira, em conversa com Joyce Pascowitch, a jornalista contou que essa é a primeira vez em mais de 40 anos que parou para valer, e que sente um certo constrangimento ao ouvir as pessoas pedindo para voltar à rotina, enquanto agradece a possibilidade de estar em casa. No papo sobre recomeços, Glória afirmou não acreditar no “novo normal” tão falado atualmente: “Ou é novo, ou é normal, vamos ter que partir para novos olhares. Nada mudou, mas algumas pessoas se viram melhor, começaram a se observar. É preciso uma pandemia para olhar para o outro?, questionou. Depois de um período de muitas superações, em que tratou – e se curou – de um câncer cerebral, perdeu a mãe D. Edna e, claro, a pandemia, Glória deu mais uma lição de vida: “Passado é historia, nem quero falar muito do que passou, estou aqui inteira, curada”, comemorou. Abaixo, Glamurama mostra algumas das reflexões da apresentadora durante a live. Agora, adivinha o que ela pretende fazer quando tudo isso passar?

Pandemia

“Eu sou a pessoa mais isolada desse Brasil, são 10 meses, emendei a cirurgia com a pandemia. Não vi um mudo novo surgir nesse período. Viajei 40 anos sem parar e de repente estava em casa quietinha, observando. Vi coisas inacreditáveis, desamor, um mar de lama… Ou é novo, ou é normal, vamos ter que partir de novos olhares. Nada mudou, mas algumas pessoas se viram melhor, começaram a se observar. Será que é preciso uma pandemia para olhar para o outro? Isso é uma coisa da sua alma, não acredito nessa ajuda só porque é hora de ajudar. Ou você olha sempre para o outro, ou você não olha nunca.”

Ficar em casa

“Como foi bom parar. Não tinha noção do que era a minha casa, nunca tive a chance e esse período  foi maravilhoso. Comecei a olhar meu jardim, meus quadros…tinha vergonha quando falava com as pessoas no telefone e elas reclamavam da pandemia. Como ia explicar que eu estava adorando? Descobri amigos que não sabia mais que tinha, livros…esse isolamento me preencheu a alma. Com a tragédia eu estou acostumada, cobri guerras, violência, dor, sofrimento, poucas pessoas entendem mais do que eu. Pude ficar em paz comigo mesma, coisa que há ‘séculos’ não conseguia.”

Volta ao trabalho

Glória retornou à apresentação do Globo Repórter na sexta-feira passada no especial do programa sobre os 70 anos da TV, que será dividido em duas partes: “Foi a viagem que eu não estava fazendo. A produção do programa me mandou o material do acervo e revi coisas da minha história que não lembrava mais. Várias vezes me emocionei e chorei. Revivi momentos da minha trajetória e estou viva para recordar isso. Voltei em uma edição especial do Globo Repórter, nada é por acaso, Deus sabe o motivo. Esse programa fez eu reencontrar a Glória Maria vaidosa”.

A TV pós-pandemia 

“A TV modernizou voltando ao passado com as reprises. Nesse tempo foram criados vários programas em novo formato, mas os antigos também retornaram. A modernidade veio para ficar, mas o conteúdo precisa ser repensado. Não adianta querer ir para um planeta que as pessoas não querem saber ainda. Muitas coisas surgiram nessa pandemia, mas poucas vão permanecer. A maneira de conduzir será mais atualizada e dá para tirar várias lições.”

Assédio e preconceito

“Eu acho tudo isso um saco. Hoje tudo é racismo, preconceito e assédio. A equipe com que trabalho me chama de ‘neguinha’, de uma forma amorosa e carinhosa. Estou há mais de 40 anos na televisão, já fui paquerada, mas nunca me senti assediada moralmente. O assedio é algo que te fere, é grosseiro, desmoraliza. Existe uma cultura hoje que nada pode. Tem que ter uma diferenciação, não dá para generalizar tudo. O politicamente correto é um porre. Acredito que o politicamente correto é o caráter, a honestidade. Esse mundo que a gente está vem muito da amargura das pessoas, não aceito.”

Futuro

“Quando isso passar quero entrar em um avião e ir para a Arábia Saudita. Estudei algumas coisas, e novidades por lá, quero ver o que está acontecendo. Também vou de novo para o Taiti, não sou boba nem nada.” (risos)

Play para conferir o papo completo.