26.02.2017  /  10:42

A maldição do Oscar: porque ganhar a estatueta nem sempre é o melhor

Em sentido horário: Cuba Gooding Jr., Mira Sorvino, Adrien Brody e Halle Berry || Créditos: Getty Images
Em sentido horário: Cuba Gooding Jr., Mira Sorvino, Adrien Brody e Halle Berry || Créditos: Getty Images

Quando teve seu nome anunciado por Russell Crowe como a vencedora do Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em “A Última Ceia”, na noite do dia 24 de março de 2002, Halle Berry entrou para a história como a primeira atriz negra a ganhar a estatueta na categoria. No dia seguinte, todo mundo falava sobre o grande feito dela e as apostas indicavam que o prêmio a tornaria do dia para noite em uma das maiores estrelas do cinema.

Não foi o que aconteceu. Nos anos seguintes, Halle protagonizou uma série de fiascos na telona, mais notadamente a superprodução “Mulher-Gato”, que consumiu US$ 100 milhões (R$ 311,1 milhões) e rendeu pouco mais de US$ 82 milhões (R$ 255,1 milhões) nas bilheterias. A partir daí, ela nunca mais teve um papel de destaque em uma produção de respeito e quando chegou perto disso foi nos trabalhos que assumiu como coadjuvante.

Halle, no entanto, não é uma exceção, já que vários atores e atrizes que levaram para casa o prêmio mais cobiçado do cinema tiveram a mesma má sorte que ela, um efeito conhecido em Hollywood como “a maldição do Oscar”. Mira Sorvino, de “Poderosa Afrodite”, Melhor Atriz em 1996, Cuba Gooding Jr, de “Jerry Maguire”, Melhor Ator Coadjuvante em 1997, e Adrien Brody, de “O Pianista”, Melhor Ator de 2002, são outros exemplos. Ou alguém lembra de muita coisa que eles fizeram pós-Oscar?

Uma das teorias mais aceitas para explicar o fenômeno é a de que a oferta de papeis para aqueles que ganham o Oscar antes de ter uma carreira cem por cento estabelecida em Hollywood aumenta as chances de escolhas ruins que eles podem fazer. Nesse caso, quando eles optam por atuar em filmes sem o devido auxílio de agentes e apenas seduzidos pelos maiores salários, o grande público que não conhecia o trabalho deles dificilmente lhes dará uma segunda chance se tiver uma experiência ruim no cinema.

Também é comum que atores recém-premiados com um Oscar busquem papeis que potencialmente dê a eles a chance de ganhar mais prêmios, mas, de novo, a linha que separa um hit de um insucesso é muito tênue e o risco de errar é muito grande diante de tanta sede por reconhecimento.

A discussão em torno da tal maldição voltou a ganhar força neste ano, em razão da quantidade de indicados jovens. Lucas Hedges, que concorre a Melhor Ator Coadjuvante por “Manchester À Beira-Mar”, tem apenas 20 anos. Ruth Negga, indicada na categoria Melhor Atriz Coadjuvante por “Loving”, é mais velha – ela tem 35 anos – mas nunca
tinha recebido tanta atenção até aparecer no longa do diretor Jeff Nichols. Isso sem falar em Damien Chazelle, considerado uma das maiores promessas de Hollywood, que aos 32 anos vai disputar não somente um mas dois Oscars: de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original.

Para as mulheres, a situação é ainda mais difícil, já que além dos riscos futuros em relação à carreira elas enfrentam ainda outro problema: uma pesquisa feita no ano passado por especialistas das universidades de Toronto, do Canadá, e Carnegie Mellon, dos Estados Unidos, concluiu que quando elas recebem a estatueta dourada, as chances de que seus casamentos terminem em divórcio aumentam em até 68%.

Falando nisso, desde que venceu o Oscar em 2002, Halle subiu ao altar três vezes, e todos os casamentos terminaram nos tribunais. Xô, urucubaca! (Por Anderson Antunes)