19.09.2020  /  9:00

A maior coleção particular de obras de arte da história, que pertenceu a uma mulher, está quase 100% catalogada

Liliane Bettencourt em sua mansão nos arredores de Paris || Créditos: Reprodução

Quase três anos depois da morte de Liliane Bettencourt, sua família está perto de concluir a catalogação da coleção de arte que ela deixou. Apontada como a maior do mundo sob a posse de uma pessoa só, capaz de fazer sombra até a de Yves Saint Laurent, a falecida bilionária francesa possuía quadros e esculturas assinados por nomes como Matisse, Picasso, Fauve Derain, Fernard Léger e Gericault. Desse último, aliás, ficou famosa uma tela que Bettencourt comprou por € 9 milhões (R$ 56,3 milhões) no multimilionário leilão das obras amealhadas em vida pelo estilista morto em 2008 que a Christie’s promoveu no ano seguinte, e que apareceu ao fundo em uma rara entrevista dela para um canal de televisão da França em 2011 na qual o assunto tratado foi a briga nos tribunais com sua filha e única herdeira, Françoise Bettencourt-Meyers.

Bettencourt, que morreu aos 94 anos, vivia em alto estilo em uma mansão de muros altíssimos localizada em Neuilly-sur-Seine, um subúrbio chique nos arredores de Paris. A propriedade era decorada com móveis Ruhlmann e tinha tantos objetos de valor em seu interior que até mesmo os amigos ricos dela ficavam impressionados sempre que a visitavam. Maior acionista da L’Oréal, empresa fundada por seu pai, e também dona de uma fatia da Nestlé, a polêmica ex-integrante do clube dos dez dígitos também tinha uma ilha em Seychelles, perto da costa leste da África, uma outra no Caribe, e pelo menos três mega-iates ancorados em diferentes pontos do Mediterrâneo.

Tudo foi herdado por Bettencourt-Meyers, que atualmente é a mulher mais rica do mundo com uma fortuna estimada em US$ 65,1 bilhões (R$ 344,4 bilhões), inclusive as vastas quantidades de ouro e diamantes que a mãe dela mantinha em cofres particulares na Suíça. Com a ajuda de seus dois filhos, Bettencourt-Meyers, que é apaixonada por artes e história, quer reunir ao menos os bens artísticos que agora são seus em um museu que sonha em erguer na capital da França nos próximos anos, a fim de dar ao grande público uma chance de ver de perto esse tesouro. (Por Anderson Antunes)