20.04.2021  /  9:00

A influência da mente na pele? Dermatologista Otavio Macedo explica quais são os impactos do estresse na saúde da pele e as formas de amenizá-los

A influência da mente na pele || Créditos: Getty Images

Depois de mais de um ano, é inevitável que surjam momentos de estresse e ansiedade durante a pandemia. E essas alterações emocionais, como se sabe, podem impactar na saúde física – inclusive da pele. O estresse é uma reação natural do organismo que coloca as pessoas em alerta diante de uma situação de perigo – é o famoso mecanismo de luta ou fuga, gravado no cérebro. “No entanto, quando essas situações de tensão são constantes, há um aumento da produção do hormônio cortisol e isso pode afetar o sistema imunológico”, diz o dermatologista Otavio Macedo, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Assim, podem ocorrer alguns problemas tais como:

– Psoríase: trata-se de uma doença inflamatória e crônica que se caracteriza por placas avermelhadas com descamação que se formam nos cotovelos, palmas das mãos e plantas dos pés, joelhos e couro cabeludo. A doença está ligada a fatores genéticos, mas é agravada por conta do estresse.

– Vitiligo: é também uma doença crônica que se caracteriza pela redução ou falta de melanina. Por isso, surgem manchas brancas em diversas regiões do corpo. O estresse é um fator comum em pacientes com vitiligo e pode até desencadear o início da doença em pessoas que já tenham predisposição genética.

– Dermatite atópica: patologia que normalmente surge na infância e provoca um ressecamento em especial nas palmas das mãos e nas dobras anteriores dos cotovelos e posteriores dos joelhos. A doença, que também é considerada crônica, é causada por fatores genéticos, mas pode ser agravada por causa do estresse, além das temperaturas baixas, lavagem em excesso e o uso de agentes que contribuem com o ressecamento da pele, como álcool e detergentes.

Como lidar com esses impactos? Otavio dá o caminho para encontrar o equilíbrio e tentar baixar os níveis do estresse. “Exercícios aeróbicos, como caminhada, natação, ciclismo são recomendáveis porque equilibram o nível de adrenalina no corpo. Praticar meditação, mindfulness ou algum hobby também é importante”, diz o  dermatologista, que lembra ainda que é importante regular o sono, investir numa alimentação equilibrada e tomar muita água. “Como tudo está conectado, não adianta ajustar os cuidados com a pele, sem resolver o que está desencadeando ou piorando o problema. Tudo precisa ser realizado de forma integrada. O ideal é conseguirmos manter o domínio das emoções, buscando o equilíbrio”, explica o médico. E alerta: “Ao sentir quaisquer sintomas, procure um médico especialista”.