Vahan Agopyan, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo || Créditos: Marcos Santos/USP

3 perguntas para Vahan Agopyan, professor que terá o desafio de comandar a USP

17.12.2017  /  9:00

Vahan Agopyan || Créditos: Marcos Santos/USP

Vahan Agopyan, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, que assumirá a reitoria da instituição no dia 25 de janeiro, sobre os desafios de comandar a USP, uma das melhores instituições de ensino do mundo

Como o senhor avalia a última gestão, quando foi vice-reitor?

O principal objetivo era evitar o risco financeiro que corríamos. Paralelamente, tivemos alguns outros avanços importantes como, por exemplo, a regulamentação para impedir que reitores em exercício pudessem trazer novos riscos dessa natureza à universidade. Nesse sentido, a criação da controladoria e a definição dos parâmetros de sustentabilidade da universidade, que são as diretrizes para a controladoria atuar, são medidas de precaução para evitar futuros desmontes. Além disso, tivemos a descentralização, dando poder às próprias unidades, mudamos as regras de acesso pelo vestibular, tivemos grandes mudanças na graduação e na pós-graduação, e a própria pesquisa teve um maior apoio dos órgãos centrais para que os pesquisadores percam menos tempo com a burocracia.

Qual a sensação de estar prestes a assumir o cargo de reitor da maior universidade do país?

É uma responsabilidade muito grande. É uma tarefa delicada, que envolve uma grande responsabilidade, mas me sinto tranquilo por termos sido apoiados por um grupo grande de professores, grupo que cresceu ao longo da campanha. Assim, são quase 200 pessoas que assumiram comigo a responsabilidade de conduzir a universidade. Não somos apenas eu e [Antonio Carlos] Hernandes: estamos representando um grupo de colegas que compartilham os mesmos ideais que a gente.

Ao assumir um cargo administrativo, o senhor se afasta totalmente de suas atividades acadêmicas – aulas e pesquisas – ou ainda consegue entrar em sala de aula?

Como pró-reitor dava para conciliar, já como vice-reitor comecei a ter dificuldades. Já não dava aula de graduação e comecei a me afastar da pós-graduação também. Agora como reitor, devo confessar que a universidade é muito grande e não dá para se manter na vida acadêmica, que é o que todo professor gosta de fazer. Vou tentar me manter atualizado com meu grupo de pesquisa, co-orientar alguns alunos – orientar sozinho é difícil por falta de tempo. Nos tempos de pró-reitoria e de vice-reitoria meus colegas me substituíam na pós-graduação quando surgiam imprevistos, mas percebi que isso prejudicava os alunos. Infelizmente, a função administrativa prejudica muito as atividades docentes e de pesquisa.