“2017 foi meu, sim!”, diz  Pabllo Vittar, capa da revista J.P de dezembro. Alguém tem dúvida?

15.12.2017  /  9:00

Por Thayana Nunes para a Revista Joyce Pascowitch de Dezembro  || Fotos: Maurício Nahas || Styling: Fabrício Miranda

Se tivéssemos de escolher o nome mais importante do showbiz de 2017, esse nome seria Pabllo Vittar. Não teve estrela mais comentada, assistida e aplaudida como ela. Desde o lançamento do primeiro CD, Vai Passar Mal, em janeiro, passando pelo clipe “Sua Cara”, gravado com Anitta no deserto do Marrocos, ou a apresentação com Fergie no Rock in Rio, até o último segundo antes desta revista ficar pronta. Só dá Pabllo. E são vários os motivos para isso estar acontecendo: se não bastasse a música tipo chiclete e a figura de um jovem de 23 anos vestido de mulher, Pabllo tem personalidade. É articulada, tem opinião. É zero mimimi e é do tipo que fala na lata e tem a autoestima lá em cima. Bom, pelo menos é assim que J.P se sentiu diante da sua presença nos bastidores deste ensaio, que aconteceu em meio ao turbilhão de compromissos, shows e participações em programas de TV. Mas não estamos aqui para falar de números, afinal todo mundo já fez isso durante o ano todo. O que a gente queria saber mesmo é: como é ser Pabllo? O que sente ao participar dessa revolução toda que vem causando – já que esbarrar com um menino de peruca loira, cílios postiços e saltão tem sido cada vez mais frequente.

ELX

Primeiro, vamos contextualizar um pouco. Phabullo Rodrigues da Silva nasceu em São Luís (MA) em 1994, em uma família simples, filho de uma enfermeira apaixonada por música. Cresceu escutando divas como Donna Summer, Aretha Franklin e Whitney Houston, tudo o que a mãe gostava. Ficava imitando essas cantoras desde criança, “quando nem sonhava em ser drag ainda”. Escutava também Ney Matogrosso – “a primeira vez que ouvi falar de gay foi por causa dele” – e Gilberto Gil. Nunca imaginaria que hoje seria tipo BFF de Preta, filha do cantor. “Vou para a casa dela e a gente faz um skincare day. A gente é viciada em creme!”, diz, sobre a também parceira musical. Voltando no tempo, depois de cantar em igreja na adolescência e trabalhar em salão de beleza, a trajetória na música engatou mesmo em 2015 ao lançar “Open Bar”, clipe que viralizou na internet mostrando uma turma à beira da piscina curtindo a vida adoidado. Desde então, foi uma carreira meteórica. Pabllo vem de uma geração conectada, que não tem vergonha de mostrar a cara na rede e, desde o começo, sabia que o sucesso on-line poderia ajudar o off-line – mesmo assim insiste em dizer que “se considera tímido fora do palco” e na hora da paquera prefere o “olho no olho”, nada de aplicativo, como faz a maioria dos jovens de sua idade. “Se bem que nem assim consigo um date direito, porque agora vou sair com alguém e ele fica muito nervoso: ‘Ai, meu Deus, estou com Pabllo Vittar’… e brocha!”, revela. Ui!

“Outra mentalidade”

E é nesse clima, ora se descrevendo no masculino, ora no feminino, que vai rolando o nosso papo, refletindo muito essa figura que se tornou tão importante para o universo LGBT e para a atual discussão de gêneros no Brasil. “Acho que sou um exemplo sim. Quando era pequeno não tinha ninguém para me espelhar. Não tinha alguém na TV que eu olhava e falava: ‘Eu posso ser isso’. Tinha o Ney [Matogrosso], mas ele era uma divindade, muito distante de mim”, conta. Uma das coisas que separa e define as gerações de Ney e Pabllo – além das cinco décadas – é justamente a internet e a forma como ela aproxima o artista do público. Tanto é que Pabllo diz receber mensagens de mães que têm filhos LGBT e que precisavam desse contato e informação para lidar com eles. “Fico muito feliz, porque isso não existia. As senhorinhas me adoram e as crianças vão crescer com outra mentalidade, sabendo que ser diferente é legal.” Não que tenha sido fácil chegar até aqui. Bullying na adolescência, haters na web, políticos se posicionando contra – teve vereador querendo impedir seu show em uma cidade no interior do Paraná. “Sou vítima de muita coisa, mas já me vacinei contra isso. Com toda essa liberdade que as pessoas têm na internet, falta um pouco de respeito. É uma terra sem lei.”

“Bumbunzão”

Estamos no meio do ensaio e Pabllo olha o resultado das fotos e dá gritinhos de felicidade. Logo publica algumas no seu Instagram para a alegria de quase 6 milhões de seguidores. Os fã-clubes ficam enlouquecidos e viralizam as imagens em segundos e, de repente, assistimos de camarote a todo o poder de Pabllo, que acha tudo aquilo muito normal. Já a gente percebe que está perto de um fenômeno – melhor palavra para descrevê-lo, já que não tem gênero. Presencia também a transformação de um jovem que surge de short, camiseta e papete em um mulherão de maiô cavado, peruca loira e sexy até dizer chega. “Não gostava de ser altona assim. Quando eu era pequena, os meninos ficavam me chamando de girafa, era magrela… Não tinha esse bumbunzão. Hoje, amo minhas pernas. Mas o melhor mesmo é que não tenho celulite!”