14.08.2017  /  18:19

Santiago Nazarian lança seu nono livro, “Neve Negra”

Santiago Nazarian || Créditos: Daniel Mordzinski/Divulgação

Um dos autores de ficção mais celebrados dessa nova geração, Santiago Nazarian lança seu novo livro, “Neve Negra”, nesta segunda-feira, na Blooks Livraria, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo. Depois de “Garotos Malditos”, “Mastigando Humanos” e “Biofobia”, ele escreve agora mais um thriller psicológico, repleto de nuances de humor negro que envolve um drama familiar e dúvidas de paternidade na cidade mais fria do Brasil. Para quem não sabe, Nazarian já colaborou para a Revista J.P e hoje é figurinha carimbada no conteúdo da revista. Confira um bate-papo com ele para a edição de março de 2014.

J.P: O que você faz pra ser feliz?

Santiago Nazarian: Vou para Florianópolis. A natureza me faz feliz.

JP: Seu momento mais brilhante…

SN: O mais recente é sempre o mais brilhante; então meu livro novo, Biofobia.

JP: Um momento que definiu sua vida…

SN: Ter publicado meu primeiro livro, em 2003, me deu uma nova carreira, novo fôlego, uma nova visão de mundo.

JP: Sua maior qualidade

SN: Sou independente.

JP: Seu maior defeito

SN: Sou rancoroso.

JP: O que ou quem é o grande amor da sua vida?

SN: A música.

JP: Travessura na adolescência

SN: Raspei zero as sobrancelhas, botei oito piercings, fiz as primeiras tatuagens e mudei de sex… Não, isso não.

JP: Travessura na meia idade

SN: Ter ido morar na praia. Depois ter ido morar na neve. A próxima será morar no deserto?

JP: O talento que gostaria de ter

SN: Tocar piano. Eu tentei.

JP: Quem te inspira?

SN: Fraz Liszt é um compositor que me inspira.

JP: Um escritor

SN: João Gilberto Noll.

JP: Quem não entra na sua vida?

SN: Gente artificial.

JP: Um bordão

SN: Se eu tivesse asas, não me prenderia a detalhes.

JP: Ícone de estilo

SN: David Bowie.

JP: Se não escrevesse, seria…

SN: Analfabeto.

JP: Como se faz uma boa história?

SN: Formando um universo próprio e atraindo outros a habitarem-no.

JP: Um filme de terror?

SN: Quando eu Era Vivo, dirigido pelo Marco Dutra. É um filme de terror brasileiro atual bem bacana. De clássico, O Massacre da Serra Elétrica.

JP: Seu grande herói

SN: Brett Anderson, vocalista da banda inglesa Suede.

JP: Momento psicodélico

SN: 2010. Depois de uma longa viagem pelo Japão e Europa, parei alguns dias em escala em Amsterdã, aluguei um apartamento e passei basicamente uma semana viajando trancado lá, cogumelando.

JP: O trabalho mais memorável de sua vida

SN: Quando fazia roteiros para histórias de disk-sexo. Não foi nem de longe o melhor trabalho, mas é o mais divertido de se lembrar.

JP: Um trabalho mal sucedido?

SN: O Prédio, o Tédio e o Menino Cego, meu quinto romance.

JP: Um ator para interpretar suas histórias

SN: Pode ser uma atriz? Denise Stoklos seria um sonho.

JP: Melhor conselho que já ouviu. De quem?

SN: “Não sofra por antecipação,” da minha mãe.

JP: Melhor conselho que já deu.

SN: Não se desespere. O pior ainda está por vir.

JP: Do que você tem orgulho?

SN: Das minhas histórias, como um todo, criadas, vividas.

JP: Do que você se ressente?

SN: Tanta coisa… Sou um negativista otimista. Sempre espero o melhor, nunca me contento com o que veio.

JP: Um vício

SN: Crack… Não, haha. Café.

JP: Uma mania

SN: Subir de escada quando tem mais gente para subir no elevador.

JP: A pessoa mais interessante que você já conheceu

SN: Marcelino Freire, escritor e grande amigo.

JP: Tipo de gente que você tem dificuldade de conviver

SN: Gente carente.

JP: A primeira pessoa a causar impacto em você

SN: Tive uma namorada na adolescência que me apresentou o mundo artístico, literário e sexual em que habito até hoje.

JP: Para quem escreveria um prefácio?

SN: Pode ser um epitáfio? Pro Bolsonaro.

JP: Você se acha uma pessoa de sucesso?

SN: Não. Todo sucesso é transitório. Me considero íntegro.

JP: Para onde você vai quando quer estar sozinho?

SN: Eu moro sozinho, trabalho em casa, então não preciso fazer basicamente nada.  O esforço é para socializar.

JP: Minha caverna no mundo

SN: Meu quarto…

JP: Fobia

SN: Telefone.

JP: A conversa mais surreal que teve ao telefone

SN: Eu costumo me fazer de louco sempre que me ligam do banco para me cobrar, então foram tantas…

JP: E a mais picante

SN: Eu escrevia roteiros de disk-sexo; então onde se ganha o pão não se come a carne.

JP: Uma história que ainda vai contar

SN: Como ganhei meu primeiro milhão.

JP: Sexo para mim é…

SN: Um mal necessário.

JP: E o amor?

SN: Uma utopia.

JP: Três palavras que esquentam tudo na hora do sexo

SN: Como é grande!

JP: Não aguento mais…

SN: O neo-conservadorismo evangélico coió deste país.