POR FORA E POR DENTRO

Existe aquela máxima que aconselha: “Não compre o livro pela capa”. Por outro lado, há aquela outra que decreta: “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. No caso do livro “Uma Certa Paz” (Cia. das Letras), do escritor israelense Amós Oz, nem uma nem outra se encaixam. Depois, ter sido muito bem avaliado pela crítica – o “The New York Times Book Review”, por exemplo, o classificou como “[a] obra mais poderosa de Amós Oz” – este livro recebeu o prêmio de Melhor Capa de 2010, concedido pela Getty Images Brasil, num evento na galeria Território da Foto, em São Paulo, nesta terça-feira, 22.

* No inverno de 1965, Ionatan Lifschitz resolve abandonar sua mulher e o kibutz onde nascera e crescera, para começar uma vida nova. Filho de Iulek, o líder da comunidade, ele tem como característica principal uma insatisfação que se contrapõe à esperança que marcou a geração anterior. Os dilemas de Ionatan se agravam quando chega ao kibutz o sonhador Azaria Guitlin. Conversador e apaixonado pela ideia de um mundo justo, Azaria Guitlin é a antítese de Ionatan. Entre os dois se forma uma estranha amizade, que se torna ainda mais confusa quando Azaria se muda para a residência dos Lifschitz e se interessa por Rimona, a mulher que Ionatan negligencia e trata com desdém.

* Amós Oz leva para o seio familiar as contradições e dificuldades políticas que o Estado de Israel enfrentava nos anos 1960, às vésperas da Guerra dos Seis Dias. Mais do que um retrato histórico, “Uma Certa Paz” é uma meditação sobre o poder, a decepção e os relacionamentos amorosos, em que o autor constrói um debate polifônico entre os personagens, sem privilegiar qualquer ponto de vista.
* Pode comprar o livro pela capa. Eu garanto.

“Uma Certa Paz”, de Amós Oz: vale ser comprado pela capa e pelo conteúdo

Por Anna Lee