12.09.2017  /  12:00

Destaques de “Os Dias Eram Assim”, entrevista dupla: tabus, moda, próximos passos… Vem!

 

Julia Dalavia e Carla Salle || Créditos: Patrick Sister/ Divulgação

Glamurama aproveitou a reta final de “Os Dias Eram Assim” e foi bater um papo com Carla Salle e Julia Dalavia, destaques como Maria e Nanda na supersérie da Globo, nos bastidores de um ensaio das duas para a marca carioca Cantão. O papo foi desde os tabus da época que persistem até hoje à moda dos anos 70/80 que as atrizes quiseram “roubar” para seus guarda-roupas. Vem ler! (por Michelle Licory)

Glamurama: “Os Dias Eram Assim” mudou sua vida?

Carla Salle: “Fui atravessada por pessoas que mudaram a minha vida. O nosso preparador de elenco, o Chico, as pessoas com quem contracenei, a Cassia Kiss, uma grande referência e inspiração, o próprio Gabriel [Leone, seu namorado na vida real e irmão na ficção], o Renato [Góes], o Marquinhos [Marcos Palmeira], nosso diretor Carlinhos [Carlos Araújo], os outros diretores… Fui atravessada por pessoas que me acrescentaram muito como atriz e foi um processo que me transformou muito como pessoa”.

Julia Dalavia: “Cada trabalho me transforma, eu saio sempre mais amadurecida. Foi assim com ‘Velho Chico’, ‘Justiça’… Em cada fase, lembro de como eu era, de como encarava a profissão, dos recursos que utilizava para contar essas histórias. Isso vai mudando, principalmente por causa das pessoas que convivo”.

Glamurama: É uma trama de época, mas muitas vezes bastante atual. Das heranças que ainda carregamos daquele tempo, qual te incomoda mais?

Carla Salle: “Nós somos censurados até hoje, em vários sentidos. Estamos longe de sermos uma sociedade livre. A gente carrega muito resquício desse período repressor, tanto na política quanto na sociedade num todo. Eu sinto que a nova geração está tentando quebrar esses padrões do preconceito, da restrição, do proibido, e eu me sinto feliz em fazer parte dela”.

Julia Dalavia: “O preconceito em geral, sem dúvida, juntamente com o machismo. É tudo muito velado, mas ainda é muito predominante, infelizmente”.

Julia Dalavia e Carla Salle fotografando o inverno do Cantão, em coleção-homenagem ao teatro, aos palcos e aos artistas mambembes || Créditos: Patrick Sister/ Divulgação

Glamurama: Qual foi o momento de bastidores mais bacana para você?

Carla Salle: “A gente se divertiu muito nos bastidores. Tem muita história boa porque a gente formou uma unidade. É um trabalho que não tem individual, ninguém trabalha individualmente ali, trabalho isolado não progride. Somos um time. Tem uma história que aconteceu há pouco tempo em que eu e a Cássias estávamos gravando uma cena séria, importante, o Gustavo [Gabriel Leone] contava para Maria que é o  pai do filho da Rimena [Maria Casadevall]. Estávamos bem concentrados e aí a Cássia leu na embalagem de uma garrafa a palavra “Dominque”, lembrou de uma música e começou a cantar… ‘Dominique, nique, nique, sempre alegre e esperando alguém…’ Todo mundo caiu no riso e foi genial. Tivemos muitos momentos como esse”.

Julia Dalavia: “As brincadeiras com a Natália do Valle e a Sophie Charlotte. Éramos muito unidas, brincávamos demais. Havia uma energia boa, de família”.

Glamurama: Qual foi sua cena mais difícil/ emblemática? 

Carla Salle: “Tem uma cena muito especial que eu tive com a Cássia quando a Maria conta para a Vera [sua mãe na trama, Cássia Kiss] que a Monique [ex-mulher do namorado de Maria, papel de Letícia Spiller] voltou [e pra morar na mesma casa, com o ex-marido e os filhos]. E a Maria, que se diz tão livre, tão sem julgamentos e preconceitos, que não demonstra ciúmes, nesse momentinho especial com a mãe se mostra uma menina que tem suas inseguranças, é humana e está sentindo ciúmes. E a Vera responde dizendo que aquilo era normal, ter todos os sentimentos dentro de si, que a gente não precisa ser uma coisa só e nem perfeita. Lembrei de uma outra quando o Renato [Renato Góes, irmão de Maria] volta do exílio e a minha personagem estava há anos sem ver o irmão e acreditando que ele estava morto. Foi muito, muito especial, todos nos emocionamos bastante”.

Julia Dalavia: “Toda a sequência da minha personagem recebendo a notícia de ser HIV positivo e contando para a família e depois para o namorado… Me imaginei muito nessa situação, tentando buscar essa dor, essa confusão. E tentei sentir isso tudo e pensar não em como eu reagiria, e sim a personagem. Não faço ideia como seria se fosse comigo, mas acho que sofreria muito. Não seria tão forte quanto a Nanda. Na ficção, o mais difícil foi a hora que a minha personagem conta para o Caíque [namorado]. Na vida real, se eu tivesse que contar para a pessoa que eu amo, seria muito difícil. A minha família me ama, sei que eles estariam ali por mim dando todo o apoio. Família é família. Já o meu namorado poderia me largar, me deixar na mão ou ficar comigo. É difícil imaginar essa hipótese”.

Glamurama: A gente está numa campanha de moda… Que peça do figurino da sua personagem  você gostaria de roubar  para a vida? Da moda da época, do que você mais gosta?

Carla Salle: “Muitas! Eu roubei uma saia midi e roubaria tantas coisas… As boinas dos anos 70 roubaria todas. Tinha uns cachecóis neons, umas meias. Saia curta, meia e boina são as peças que mais gosto dessa época. Acho lindo!”

Julia Dalavia: “Uma calça baggy que a Nanda usava com blusa amarrada ou o smoking que ela usou na exposição da Alice [Sophie Charlotte]. Da moda da época, gosto da cintura alta bem marcada”.

Glamurama: Quais são seus próximos passos profissionais?

Carla Salle: “Vou fazer a supersérie do José Villamarim. E estreio um filme, provavelmente no final do ano, chamado ‘Motorrad’, de Vicente Amorim, que é um thriller”.

Julia Dalavia: “Eu vou fazer a próxima novela das nove, do Walcyr Carrasco”.