06.09.2017  /  11:20

Conglomerados de luxo se unem para lançar cláusula de defesa e direitos a modelos

Desfile Balenciaga de outono/inverno 15/16 || Créditos: Pascal Le Segretain/Getty Images

Um novo capítulo está prestes a se iniciar na moda. Os conglomerados de luxo LVMH e Kering, que juntos controlam as maiores marcas de luxo do mundo, acabam de anunciar em comunicado oficial que unirão forças para criar uma carta de proteção ao bem-estar dos modelos. A tal cláusula corporativa vai ser aplicada a todas as marcas de ambos os grupos e passa a valer a partir da temporada de primavera/verão 2018, que começa nesta quarta-feira em Nova York. “Respeitar a dignidade de todos os homens e mulheres está no coração dos valores de ambos os grupos. Sempre cuidando do bem-estar dos modelos, a LVMH e a Kering sentem que têm uma responsabilidade específica como líderes da indústria para dar um passo adiante com suas marcas”, diz o comunicado assinado pelos dois.

Entre os pontos debatidos na carta corporativa estão:

  • Todas as marcas devem trabalhar apenas com modelos que obtenham um certificado médico válido, atestando boa saúde e capacidade de trabalho, e que tenha sido feito em no máximo seis meses antes do desfile.
  • Modelos devem apresentar queixa direta à marca caso haja qualquer problema com uma agência de modelo, diretor de casting ou problema com a própria marca.
  • Marcas devem providenciar transporte de modelos para retornar às suas casas quando o trabalho ultrapassar o horário das 20h.
  • Marcas devem fornecer a modelos acesso a alimentos e bebidas que cumpram os requisitos alimentares, assim como informações úteis para manter uma dieta saudável ao longo do dia útil.

A notícia vem à tona depois de acusação de maus tratos ocorrida em casting da Balenciaga, que pertence à Kering, durante o primeiro semestre deste ano, que provocaram debate mobilizando nomes importantes da moda em prol de maior respeito e  proteção aos modelos. Na ocasião, a Balenciaga respondeu imediatamente às acusações, declarando que “tomou conhecimento dos problemas tidos com o casting de modelos naquele dia”. E disse que “reagiu imediatamente, fazendo mudanças radicais no processo do casting, incluindo interrupção de relações com a agência do casting em questão.”

Vale lembrar, que entrou em vigor na França em maio deste ano uma lei que proíbe magreza excessiva nas passarelas. Enfim, novos tempos!