Beatriz Milhazes
Beatriz Milhazes || Créditos: Divulgação

Beatriz Milhazes inaugura neste sábado “Marola, Mariola e Marilola” na Carpintaria, novo espaço da galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, no Rio. Na mostra, três grandes esculturas, inéditas no Brasil, já exibidas em Nova York, Berlim e Paris. É a primeira vez que a artista expõe na cidade desde a retrospectiva que realizou em 2013 no Paço Imperial. Glamurama foi conversar com ela sobre essa novidade de explorar esculturas, sobre a relação de sua liberdade criativa com o valor de uma obra com sua assinatura no mercado internacional, sobre a resistência em licenciar produtos estampados com seus trabalhos – tão pop – e sobre seus próximos passos: uma mostra em Londres e murais para um hospital americano. À entrevista! (por Michelle Licory)

"Marola, Mariola e Marilola", de Beatriz Milhazes
“Marola, Mariola e Marilola”, de Beatriz Milhazes || Créditos: Divulgação

Glamurama: Você é uma das artistas brasileiras mais valorizadas no mercado internacional, com obra reverenciada por crítica e público. Por que se arriscar em algo desconhecido? O que te fez querer explorar as esculturas? 

Beatriz Milhazes: “Faz parte da minha prática no atelier estar sempre introduzindo novas questões, que evoluem para outras possibilidades da minha obra. A pintura é sempre uma área de risco e foi aos poucos que o interesse pelo pensamento tridimensional surgiu. Inicialmente, no cenário para a performance ‘Tempo de Verão’ (Márcia Milhazes Cia de Dança). Em seguida, com a série de instalações que intitulei ‘Gamboa’, cujos elementos ocupam o espaço, mas não lidam com a questão de volume. E finalmente, entre 2010 e 2015, desenvolvi ‘Marola, Mariola e Marilola’, na Durham Press (EUA)”.

Glamurama: Qual a “vantagem” da escultura?

Beatriz Milhazes: “É fundamental para a minha pintura ‘respirar’, poder  pensá-la através de diversos meios. As esculturas saem do plano para habitar o mundo real”.

Glamurama: Na sua opinião, apesar de ser um novo formato, que características suas esculturas têm que fazem o espectador reconhecer de cara ser um trabalho de Beatriz Milhazes?

Beatriz Milhazes: “Pela intensa relação que elas têm com a pintura e minha linguagem. Os elementos desenvolvidos, os ritmos orgânicos, a justaposição de camadas, a seleção de materiais/cores escolhidos dialogam diretamente com pintura. Um desenho que foi um disco na pintura, agora é uma esfera coberta com este desenho. Ela ocupa o mesmo espaço que um corpo e existe um espaço real de interação”.

Glamurama: Como lida com essa questão do valor de uma obra assinada por você e sua liberdade criativa?

Beatriz Milhazes: “O valor da obra no mercado de arte não tem nenhuma relação com o processo de desenvolvimento da obra no atelier”.

Glamurama: Você tem algum pudor de licenciar produtos estampados com seus trabalhos? Qual seria o limite?

Beatriz Milhazes: “Eu nunca licenciei nenhuma das imagens criadas por mim para desenvolvimento de estampas em produtos, e não tenho interesse”.

Glamurama: O que foi mais difícil nesse processo? E em que momento você finalmente olhou para essas esculturas e teve a sensação de dever cumprido, de que venceu o desafio ao qual se impôs?

Beatriz Milhazes: “Em dezembro de 2014, quando finalizei a ‘Marola’. Esse processo iniciou-se em 2010 e, logo em seguida, a ‘Mariola’ e ‘Marilola’ aconteceram. Foram, então, apresentadas na minha mostra de pinturas, na James Cohan Gallery, NY(2015), e na Max Hetzler Gallery, Berlim/Paris(2016). Senti que havia realizado uma escultura, que uma nova porta estava aberta para a minha prática no atelier, havia vencido o primeiro desafio. A repercussão foi muito positiva, vamos ver a reação dos cariocas!”

Glamurama: E agora? Qual o próximo passo/ desafio? Depois dessa experiência, seu coração artisticamente é mais plano ou mais escultural?

Beatriz Milhazes: “Estou mergulhada no meu atelier trabalhando em pinturas de enormes formatos para a minha mostra em Londres, em 2018, na White Cube. Também estou acompanhando o desenvolvimento de dois murais gigantes que serão instalados no novo prédio do Hospital Presbiteriano de NY, em 2018. Ou seja, sigo muito interessada no plano e suas infinitas questões e vou aproveitar essa mostra na Carpintaria para conviver muito com as esculturas e poder verificar os potenciais para sua evolução”.