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27/08/2009

Coluna Nova York - Por Nessia Leonzini

CARA NOVA

A rede de farmácias Duane Reade faz parte da paisagem urbana; em cada esquina há uma, reconhecível pelo logotipo e pelas vitrines abarrotadas de tudo, desde produtos de beleza até os de casa, desde comidas até vitaminas, em nenhuma ordem coerente. Depois de 50 anos, a D&R resolveu modernizar o visual. As poucas lojas que estão de cara nova são mais alegres e arrojadas, principalmente as prateleiras de maquiagens que agora trazem bons produtos importados. Muitas ficam abertas 24 horas.

Duane Reade -253 lojas em NYC



TV

A série “Mad Men” é o hit do momento com o seu look anos 1960, sexy e provocativo, e o jargão publicitário de Madison Avenue. Está em sua segunda temporada e é uma verdadeira mania nacional. Isso não diminui em nada a popularidade de “Curb Your Enthusiasm”, desde 2000, estrelada por Larry David, o autor das maiores gafes da televisão norte-americana. David é insuportável, (dizem que na vida real também), mas imperdível. É o star do mais recente filme de Woody Allen, “Whatever Works”. A nova temporada começa no dia 20 de setembro.



ROCK

Num concerto dos ingleses Pet Shop Boys todo mundo dança, menos os dois integrantes da banda, Neil Tennant e Chris Lowe. Aliás, este último nem canta, é mais um companheiro de palco que fica praticamente sem se mover. Os Pets são melódicos, românticos, alternativos, e ao vivo, muito irreverentes. 

Pet Shop Boys

1 e 2 setembro no Hammerstein Ballroom



HAPPY BIRTHDAY

Em 29 de agosto, Michael Jackson estaria festejando 51 anos e o hip-hopper Q-Tip, que era do grupo Tribe Called Quest, comanda a noite, nas mesas de som. O músico preparou umas mixagens especiais que vão ser acompanhadas por vídeos inéditos do Rei da Pop. O jovem e talentoso DJ Mark Ronson, que já passou pelo Brasil, complementa a programação. Vai ser muito bom!

Nokia TheatreTimes Square, 29 de agosto a partir das 22 hs, Broadway com 44th St. O telefone é 800 745 3000.

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20/08/2009

COLUNA NOVA YORK - Por NESSIA LEONZINI

SOBRE AS ONDAS

Para um artista, qualquer superfície disponível pode ser um meio de expressão. Steve Miller, que trabalha em vários suportes, encontrou na coleção de tábuas de surf uma extensão natural para os seus pincéis. A forma alongada e elegante das tábuas provou ser uma linda tela de trabalho, onde ele aplica silk screen e tinta esmaltada, transformando cada uma delas numa deliciosa obra de arte, de personalidade própria e resistente à água do mar. Miller é fã do Brasil e só pega onda de bermuda Osklen com estampa do calçadão de Copacabana, para não morrer de saudades.

stevemiller.com




BOLSA

Quem recebeu muitos visitantes nesse verão foi o Touro de Wall Street (Charging Bull), a famosa escultura de bronze que se transformou no símbolo da “prosperidade” do mercado financeiro, o “bull market”, ou seja, o mercado em alta. Passem a mão nele, para dar sorte. O touro fez sua aparição depois da queda do Mercado de 1987 e representa a “força e o poder do povo americano”. Pesa 3200 quilos e é do artista Arturo di Modica (n.1941) que instalou o touro, em 1989, na frente da Bolsa de Valores sem permissão oficial. As crianças adoram subir no touro e tirar foto.

Charging Bull – em Wall Street, na saída do metrô Bowling Green, linhas 4, 5 e 6




LEITURA

É uma pequena livraria de charme inglês e constitui um marco em pleno Greenwich Village. Foi até oficialmente chamada de “um bolso de civilidade“ pela Sociedade Histórica do Village. Não se sabe bem como, mas a Three Lives conseguiu sobreviver à internet e às megalivrarias, e aí está, florescendo - um verdadeiro anacronismo, como diz o site da casa. Os readings (leituras) são famosos. Uma pausa super gostosa quando se anda por ali.

154West 10thSt , com Waverly Place. Fone:. 212 7412069


PARQUE

Um programa delicioso para esta época do ano: alugue bicicletas e pedale pelo Central Park. São 341 hectares de verde e 76 Km de caminhos, sob a sombra,  para explorar. Com crianças, é um programa bem mais relaxante do que uma visita a pé. As bicicletas, em todos os tamanhos, são entregues no hotel, serviço porta a porta e vem equipadas com capacetes. O preço do aluguel por dia é US$ 35, uma verdadeira barganha.

Bike Rental Central Park, na 348 West 57th Street. Fone 212 6649600, uma hora US$ 15, duas horas US$ 20 e três horas US$ 25. Serviço porta a porta gratuito até cinco quarteirões de distância

BikeRentalCentralPark.com


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12/08/2009

Coluna Nova York - Por NESSIA LEONZINI

CULINÁRIA

Uma fatia de pizza, comumente chamada “a slice”, está custando US$ 5. A notícia saiu no “New York Times”. Duas vezes! Até o prefeito entrou, diplomaticamente, na discussão do pedaço de pizza... Neste verão é o prato do dia e aparece no menu de estabelecimentos respeitadíssimos da gastronomia nova-iorquina , em combinações das mais excêntricas. É comfort food politicamente correta porque acompanha o estado de espírito da recessão. Se quiserem provar a tal slice, ela é manualmente preparada, com ingredientes importados, por Domenico De Marco, do Brooklyn.

Di Fara Pizza, na1424 Avenue J (com E15th), no Brooklyn, 718. 2581367



MENÇÃO HONROSA

Eleven Madison Park, o simpático restaurante de Danny Meyer (do Union Square Café, Gramercy Tavern, The Modern) que abriu em 1998, acaba de ganhar quatro estrelas do crítico Frank Bruni, do “New York Times”. O chef Daniel Humm, de 32 anos e na casa desde 2006, é responsável pelas boas novas com sua maestria na cuisine contemporânea francesa e na gastronomia molecular. Isso se traduz em bisques (o cappuccino de ouriço ganhou menção especial), “espumas”, foams e clássicos como frango assado em brioche e fois gras e porquinho de leite. O preço fixo (três pratos) é US$88 e bem mais em conta do que outros tops como Daniel e Per Sè. Bon appétit!

Eleven Madison Park, na 11 Madison Ave com Rua 24, 212 8890905



MINIMALISMO

Nesta temporada de chuvas intermináveis e tráfego insuportável, os passeios fora da cidade são um programa arriscado. Mesmo assim, uma visita ao pequeno museu Dan Flavin, na cidade de Bridgehampton, a duas horas de NY, nos Hamptons, é super agradável. Flavin é um mestre da luz. Suas esculturas em simples tubos de luz fluorescente criam contrastes de cor, jogam com a intensidade de luz e estabelecem relações formais e estruturais entre o que se vê e o que não se vê. O acervo de nove obras realizadas entre 1963 e 1981 está instalado numa antiga e charmosa firehouse de 1908, toda restaurada .

Dan Flavin Art Institute: Mantido pela Dia Art Foundation,  na Corwirth Avenue, esquina com Main Street , Bridgehampton

Pela Long island expressway, 495. Saida # 70, pela 27 Montauk Highway.A duas horas de Manhattan (melhor durante a semana), Diacenter.org



PIRUETAS

Os aficionados por dança devem ir ao Massachussets, nas montanhas do Berkshire para o Festival Jacob's Pillow que está celebrando seu 77° aniversário. O festival foi fundado pelo legendário bailarino Ted Sahwn, em 1933 e se estabeleceu como um palco para experimentação e preservação da linguagem coreográfica. Os palcos são ao ar livre, a lista de estrelas que participam é longa  e o setting, maravilhoso. Há varias pousadas simpáticas na região.

Jacob's Pillow Dance Festival: a três ou cinco horas de Manhattan. Berkshire Hills, Massachussets

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05/08/2009

Coluna Nova York - Por NESSIA LEONZINI

CULTURA

Esta charmosa livraria, revestida de madeira, que fica no coração do Upper East Side, tem uma ótima seleção de livros de ficção e monografias de artistas. Lá fora, prateleiras com catálogos das casas de leilões. Os vendedores são informados e sempre dispostos a encomendar os livros que não se encontram na casa. Peça para ver uma edição original de “Ulysses”, de James Joyce, uma das mil em circulação; ela está à venda por US$ 20 mil dólares. No porão, a maravilhosa coleçao de brinquedos antigos com milhares de soldadinhos de chumbo. Os livros usados ficam no balcão de cima.

Crawford Doyle Booksellers, na 1082 Madison Ave com 82th street




PASSEIO CULTURAL

O verão é o momento ideal para ir aos Cloisters, o museu de arte medieval afiliado ao Met. Situados no topo de uma colina, com vista para o rio Hudson , o museu foi financiado pela família Rockefeller que pagou pelo transporte de quatro claustros franceses dos séculos 12 ao 15 – coisas que só o dinheiro permite realizar. Os Cloisters tem uma coleção de cinco mil objetos, entre eles a famosa e enigmática tapeçaria “Unicórnio em cativeiro” (1495-1505) e a belíssima Anunciação, o “Altar de Mérode” (1425-1430), de Robert Campin. É um passeio delicioso.

Cloisters, no The Metropolitan Museum of Art.




PASSADO

Querem saber que cara tinha Manhattan quando ainda não havia Times Square, baratas e ratos morando nos metrôs?  Eram quilômetros e quilômetros de verde, parecidos com o Central Park, com riachos que desembocavam no Hudson e mais de mil espécies de animais que coabitavam na ilha, em total harmonia. O todo foi reencenado num magnífico setting. A exposição vai encantar as crianças e adultos também.

Mannahatta/Manhattan, Museum of the City of New York, na 1220 Fifth Avenue com 103th Street.




86th STREET

Outro sinal da recessão: a loja da Banana Republic, da Madison com a 85 fechou nesta semana. Por sorte, a da Rua 86 esquina com Terceira Avenida, a poucos quarteirões dali, continua aberta. A Rua 86 está animadíssima e um destino para as compras básicas: ganhou uma H&M e uma filial giganstesca da Barnes&Noble. Além do mais tem uma boca de metrô muito conveniente e o excelente hot dog do Papaya King para abocanhar entre uma loja e outra.

H&M – 86 com Lexington; B&N – 86 com Lexington; Papaya King – 86 com Terceira Avenida; Banana Republic – 86 com Terceira Avenida


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29/07/2009

Coluna Nova York - Por NESSIA LEONZINI

MODA


Parece que a recessão não atingiu a Marni, da designer Consuelo Castiglioni, fundada em 1994 e com loja no Soho desde 2002. Uma segunda boutique acaba de abrir numa linda casa em uptown, perto da Madison Ave. E a boa notícia é que traz a edição Summer09, mais barata, em exclusividade. Desenhada pela empresa Sybarite, a loja tem o mesmo visual minimalista e chique da coleção, apresentada em araras de aço que alongam a parede do lugar. Ah, e as vendas da Marni, em 2008, alcançaram 174 milhões de dólares, nada mal para os tempos de hoje.

Marni, na 21 East 67th Street.



OUTROS MUNDOS

A galeria Deitch está irreconhecível, reinventada pela dupla de artistas Jonah Freeman e Justin Lowe, em uma série de quartos que se conectam uns aos outros por escadas, buracos na parede e corredores lúgubres. A instalação se desenrola como se fosse uma montagem cinematográfica, uma combinação de cenários e arquitetura que refletem uma psicose urbana. São ambientes cheios de fios elétricos, móveis velhos e refugos da rua – uma loja de perucas, um salão com arte, um laboratório de drogas, um pequeno museu com espécimes conservadas em formol - criando um panorama social coletivo que dá medo, porque pode ser real. É uma das boas exposições para se ver neste verão.

Black Acid Co-Op, de Jonah Freeman e Justin Lowe, na Galeria Deitch até o dia de agosto.



ROMANCE

A série de concertos do Mostly Mozart é um evento que acontece em todos os verões. No entanto, deliciosas mesmo são as soirées musicais que começam às 10h30min da noite no auditório do Stanley H. Kaplan Penthouse - uma sala intimista localizada no 10º andar do Lincoln, com deslumbrantes vistas de Manhattan. O programa notívago dura uma hora e conta com grandes solistas e um repertório romântico. Perfeito para as noites tranquilas desta saison. Os boêmios adoram.


Little Night Music, no Stanley H. Kaplan Penthouse, 70 Lincoln Center Plaza, às 22:30.



WOW!

Imaginação é o que não faltava aos surrealistas. A partir dos anos 1930, o grupo passou a produzir uma arte permeada pelo erotismo e sexualidade, representados em esculturas, pinturas e objetos, utilizando materiais dos mais inusitados: Salvador Dali fez uma escultura de um busto de mulher com pão (1933) e a artista suíça Meret Oppenheim forrou uma xícara de café com pele (1936). Esta inesperada e absurda conjunção de elementos formou o objeto surrealista por excelência, estranho e poético ao mesmo tempo. São um deleite para os olhos (e os sensos) na curiosa e very sexy exposição do MoMA.

The Erotic Object: Surrealist Sculpture from the Collection: até o dia 4 de janeiro de 2010 no Museu de Arte Moderna de NY


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23/07/2009

Coluna Nova York - Por Nessia LEONZINI

UMA VIDA

O artista Dash Snow faleceu na semana passada, de overdose, aos 27 anos. Era carismático, tinha enorme talento e conquistava a todos que o conheceram. O mundo não tinha limites para Dash, o iconoclasta, que trabalhava com aquilo que tinha à mão, desde tubos de pintura até o próprio sêmen e vômito. Foi um dos artistas participantes da última Bienal do Whitney e sua obra figura em diversas coleções públicas. Fez parte do grupo Irak Crew e, sob o pseudônimo Sacer, deixou marcas em toda a cidade com grafitis assinados com as iniciais R.I.P. Há poucos dias, um mural colorido, enorme, surgiu na esquina da Houston com a Bowery, no mesmo local em que Keith Haring havia executado o painel dele, em 1982. O mural é dedicado a Dash Snow/Sacer/R.I.P., uma linda e comovente homenagem assinada pelos brasileiros Gustavo e Otavio Pandolfo, da dupla osGêmeos, que representam, no seu vocabulário característico, cenas do dia a dia misturadas com fantasias e momentos mágicos “de um mundo que vive dentro de nós, um sonho real”, segundo os artistas. Muito apropriado.


REVOLUÇÃO

Entre 1967 e 1980, o ativista negro Emory Douglas fez parte do grupo político Black Panther como ministro cultural e artista revolucionário. Com cinco mil membros, o partido visava efetuar transformações sociais através do engajamento político na comunidade afro-americana. Douglas desenhou os pôsteres e as publicações do Black Panther, sendo que o jornal do grupo atingiu uma circulação de 400 mil: o design vivo, incendiário, representava mulheres e homens de cabeça erguida, em atitudes de desafio aos abusos do poder e ao racismo predominante. A arte de Douglas, esteticamente poderosa e facilmente identificável, é sinônimo mesmo da Guerra dos Direitos Civis na América. Faz parte da história e está no New Museum para ser compreendida.



HISTÓRIA

David Goldblatt é um dos maiores fotógrafos da nossa época. Um nome desconhecido do grande público e muitas vezes de seus colegas de profissão. Atuando com uma testemunha da história, desde os anos 1960, Goldblatt - o observador - metódica e criticamente, registrou em imagem após imagem os efeitos do apartheid na África do Sul, país com cultura e paisagem atormentada pelo racismo. São fotografias que não dizem muito, mas dizem tudo: não é o “momento decisivo” que atrai o olhar, mas a rotina e os momentos particulares. Goldblatt é seduzido seja pela composição e formalidade estética (as linhas de uma ponte), seja pelo emocional (simples retratos), ou racional (um lavatório da comunidade negra). Aqui não há nada de espectacular, mas tudo conta. A obra, que cobre os 50 anos de carreira do fotógrafo, é uma revelação.


The Photography of David Goldblatt

New Museum


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16/07/2009

Coluna Nova York - Por Nessia LEONZINI

VIDA EM FAMÍLIA

O artista chinês Song Dong transportou para o MoMA os conteúdos da casa de sua mãe, literalmente. A instalação compreende 50 anos de material - objetos que ela guardou, sem descartar absolutamente nada, já que ela vivia sob o conceito wu qi yong ou “não desperdiçar”, uma forma de sobrevivência durante a Revolução Chinesa. O átrio do MoMA se transformou então numa paisagem surreal de xícaras, copos, cobertores, bonecas desmembradas, canetas, geladeira, cama e tudo aquilo que faz parte de uma casa, metodicamente arranjados pelo artista. Uma obra comovente e uma colaboração familiar que lida com a temporalidade de uma vida, com a passagem do tempo, com perda e permanência. Para ver o vídeo do making of clique aqui.

Waste Not, Projects 90: Song Dong: até 7 de setembro no Museu de Arte Moderna, MoMA.




INOVADOR

O artista belga James Ensor (1860-1949) foi um inovador. Uma figura seminal na vanguarda européia do século 19 e um dos precursores do expressionismo do século 20. Um artista engajado político e socialmente, envolvido no debate das ideias modernistas da época: era obcecado por máscaras e esqueletos, pelo carnaval, por cenas fantásticas, pelo tema da dupla personalidade e pelo simbolismo religioso. Seu profundo interesse estava na luz, que utilizou de maneira inovativa e alegórica. Os 120 trabalhos em exposição no MoMA revelam um artista surpreendente, de enorme influencia para as gerações posteriores.

James Ensor: até 21 de setembro no Museu de Arte Moderna, MoMA.



AQUÁRIO

Um filme fortíssimo vem aí: “The Cove”, que ganhou o prêmio da audiência no último Festival de Sundance, lida com o massacre anual dos 23 mil golfinhos no Japão, mais precisamente na cidade de Taiji, em Wakayama - o centro da exportação de golfinhos para aquários e shows no mundo inteiro e de matança para utilização da carne. É um documentário com momentos de suspense, já que foi filmado secretamente com câmeras de alta definição camufladas em ninhos de pássaros e pedras, e microfones plantados debaixo d’água. “The Cove” tem como personagem principal Ric O’Barry, o famoso treinador do golfinho Flipper. O produtor executivo é Jim Clark, empresário de sucesso e fundador da Netscape. O filme também lida com as várias organizações de proteção da vida marinha, com o alto teor de mercúrio nos peixes e as conseqüências dessa substância nos humanos. Isso quer dizer, bye bye sushi....


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08/07/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Águas


A primeira quadrienal de arte pública acaba de abrir em Governors Island, uma ilhota que só pode ser acessada por uma balsa que sai de downtown de hora em hora. A ilha foi comprada dos habitantes nativos, os Mannahattas, por um holandês em 1637 e até os anos 1960 serviu de base militar. É um local muito charmoso, com prédios abandonados e vegetação silvestre. Este ano é palco para a mostra de arte contemporânea -  são 19 instalações site-specific, incluindo vídeos . O perfeito programa para um dia de sol.  Aproveitem para passar pela Praia, The Beach,  formada por 300 toneladas de areia importadas de Long Island – é possível até assistir a um dos muitos concertos que vão acontecer em julho e agosto neste mini-litoral de Manhattan.

PLOT quadrienal de arte pública

THIS WORLD & NEARER ONES

Apresentada por Creative Time

Aberta sexta, sábado e domingo

Governors Island




Combo

Outro programa divertido acontece no P.S.1, a instituição de arte em Long Island City, localizada a uma estação de metrô de Manhattan. As tardes dançantes tem música experimental e um público jovem e moderno que lota o pátio todos os sábados à tarde. A cada ano, PS1 abre um concurso para jovens arquitetos que desenham o cenário destas festas. São animadíssimas.

Warm Up

P.S.1 Contemporary Art Center




Grandes mestres

Há um êxodo de novaiorquinos a caminho de Boston. A razão é a extraordinária mostra que reúne três gigantes do renascimento veneziano, Tiziano, Tintoretto e Veronese. Os três mestres eram rivais e a sua relação, apesar de competitiva, era formada por incrível dinamismo e criatividade, o que resultou no “estilo veneziano” que conhecemos hoje.  Os quadros são maravilhosos. Além do mais, a curadoria é em colaboração com o Louvre . Das 57 obras que fazem parte da exposição,  14 vem de Florença e Veneza.  Imperdível.

Titian, Tintoretto, Veronese

Rivals in Renaissance Venice

Museum of Fine Arts, Boston

Até 16 de agosto


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01/07/2009

Coluna Nova York - Por NESSIA LEONZINI

EXCESSOS

Os adolescentes das escolas privadas do Upper East Side de Manhattan são um estereótipo de tudo que não vai bem, ou de tudo que vai bem, em Nova York. O novo reality show do canal Bravo que se chama, apropriadamente “NYCity Prep” ("prep" em inglês pode ter dois sentidos: preparatório ou preppie) segue cinco estudantes nas suas horas de lazer. Fazem parte do programa: limusines, personal shoppers em boutiques de luxo, restaurantes cinco estrelas, cartões de crédito ilimitado, muitas fofocas, brigas e reconciliações. Enfim, tudo que faz parte do mundo de um adolescente da classe alta novaiorquina. O que não se vê é supervisão dos pais. A série é um sucesso total e o seu conteúdo ao invés de surpreender, reforça o que já se sabia.



BOWERY

O chef Daniel Boulud resolveu apostar no sucesso do bairro Lower East Side e abriu um novo restaurante, especializado em hambúrgueres. A casa é simpática, barulhenta e high tech. A cozinha aberta é “decorada” por panelas de cobre, que dão a ilusão de alta gastronomia, e muita louça branca, como se fosse um bistrô francês. É cedo para julgar o menu de Daniel, mas pela reputação impecável do chef, espera-se o melhor. Os preços são muito razoáveis e o restaurante vive cheio de gente jovem e bonita. O nome, DBGB, faz alusão carinhosa ao defunto CBGB, o templo do rock punk que ficava ali do lado.

DBGB Kitchen and Bar: 299 Bowery perto da Houston St.

Telefone: (212) 933-5300



APOLLO

A essas alturas, quem já não ouviu dizer que Michael Jackson ganhou a Noite dos Calouros (Amateurs Night) no histórico Teatro Apollom, no Harlem, há mais de 40 anos? Aquela noite que deslanchou a sua carreira, aos 8 anos de idade, com os Jackson Five? Pois bem, a tradição continua a cada quarta-feira, desde 1934, a partir das 19h30. As noites são animadíssimas e muitas vezes apresentam boas surpresas. E se a música não for boa, so what? Estamos no coração do Harlem vivendo as noites de magia que consagraram nomes como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughn, Billie Holiday, James Brown, Fat Joe, Lauryn Hill, entre muitos outros, inclusive o do Rei do Pop!

Apollo Theater: 253 West 125th St


Telefone: (212) 749 2743

ApolloTheater.org



NOITES QUENTES

No verão, o jardim de esculturas do MoMA é o cenário perfeito para se ouvir música contemporânea. As gostosíssimas soirées musicais ao ar livre, este ano, contam com a parceria da Escola Juilliard e do Jazz/Lincoln Center que se apresentam, em domingos alternados, com repertórios inéditos. Um programão.

Summergarden 2009: New Music for New York

Nos quatro domingos de julho

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25/06/2009

Coluna Nova York - Por Nessia Leonzini

POINT

O Hotel Standard acaba de inaugurar seu restaurante, o Standard Grill, bem debaixo do High Line. A cozinha é comandada pelo chef Dan Silverman, do Lever House, um expert em “comfort food”- leia-se, frango assado, perna de carneiro e bife com batatas fritas, este último, um dos melhores ribs para dois da cidade. São três espaços, cada um diferente do outro. Lá fora é como uma alcova, uma delícia em um dia de verão. O bar, arrojado, serve comida e tem como décor os azulejos brancos dos metrôs de Paris. Já a sala de jantar é mais séria, com banquettes vermelhas, móveis de madeira e um chão super original forrado de pennies, o que lembra o interior de um steak house. O dono, Andre Balazs (do Mercer e Sunset Beach em Shelter Island) agitou, na semana passada, o society de Nova York quando convidou “family and friends” para conhecer o Grill e provarem o menu. Tudo por conta da casa. E claro, já está impossível de conseguir mesa... Ao menos que saibam o número da linha vip.

The Standard Grill, na 845 Washington Street com Rua 13.



VÍDEO

E falando no Standard, um vídeo, colaboração do artista Marco Brambilla com o atelier canadense Crush, está passando dentro do elevador do hotel. É uma colagem de mais de 400 imagens em movimento, inspirada na Divina Comédia, de Dante Alighieri: num momento o passageiro se sente no Inferno, e em outro, no Paraíso. Uma experiência única.



 


MÚSICA

Todos os anos, um dos pontos altos do verão norte-americano é o festival de Música Marlboro, no estado do Vermont, que acontece nos cinco fins de semana entre julho e agosto, no campus do Marlboro College. Fundado em 1951 (esta é a 59ª temporada) pelo pianista austríaco Rudolph Serkin, que emigrou durante o Holocausto, Marlboro é uma colônia de férias para músicos consagrados ou não. Uma ideia utópica que deu certo, um berço para jovens estudantes de música. Os diretores atuais do Marlboro são nada menos que os renomados pianistas Michiko Uchida e Richard Goode, e são eles que dirigem as classes e os ensaios. Wow!  Durante as sete semanas de “retiro”, os músicos em residência ensaiam a fundo mais de 240 peças musicais e, nos fins de semana abertos ao público, ouve-se o melhor. Além de Uchida e Goode, uma lista brilhante de músicos participa dos recitais entre os quais, este ano, está o celista David Soyer, do Guarneri Quartet. Para os amantes da música clássica é um programa dos sonhos; para os leigos, uma ótima iniciação. Além do mais, Marlboro, um vilarejo com uma populaçao de 978, tem pousados charmosas e restaurantes simpaticíssimos.

Marlboro Music, de 18 de julho a 16 de agosto


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17/06/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

REPAGINAÇÃO

Outro sinal da recessão: a revista de domingo do “New York Times” ficou 9% menor, aparada aqui e ali, em cima e dos lados. Adaptada aos novos tempos e ao custo alto do papel. O jornal, que se dizia ser “o mais alto e mais largo”, não só encolheu, mas também mudou de cara: a fonte ficou menor e o design mais contemporâneo. Uma das suas modificações aconteceu na coluna Food - de receitas e culinária -, que passou para o começo da revista. Será que com a crise econômica, o povo voltou para a cozinha? É o que dizem por aí.



 


FAZENDO ARTES

Quantos apps cabem em um Iphone? O número parece infinito, é só olhar para a lojinha AppStore online. Uma aplicação que está agradando o mundo da arte são os pincéis, ou brushes, que vem com uma palheta de cores extraordinária, uma opção de pincéis que ficam mais finos ou mais espessos com o toque na tela e um zoom poderoso. É possível arquivar as ideias, transportar as obras para outros suportes, e maravilha! Fazer um replay do processo criativo, segundo por segundo. Brushes ganhou notoriedade na semana passada, quando foi parar na edição da revista“The New Yorker” do dia 1°de junho. O artista Jorge Colombo desenhou a capa com uma vista bem novaiorquina de um carrinho de cachorro-quente, executada inteiramente em Brushes.



 


BEATLES

Paul vem aí. O ex Beatle, Paul McCartney inaugura o programa de música em Citi Field, no extinto Shea Stadium, 44 anos após os Beatles tocaram ali pela primeira vez, com um público recorde de 55 mil pessoas. Paul reabre sozinho, é claro, com repertório Wings e algumas canções dos velhos tempos. Faça chuva ou faça sol, é um bom programa de verão.

Paul McCartney: dias 17 e 18 julho no Citi Fields, em Nova York.



 


INFRAESTRUTURA

O ambiente do Madison Square Park é uma alegria só. Formas geométricas coloridas criam estruturas - plataformas, passagens e bancos - que vão se desdobrando de maneira pictórica pelo meio ambiente. A obra é da artista Jessica Stockholder, que também interferiu no paisagismo, com plantas misturadas com baldes de plástico e outros objetos de cores fortes. “Flooded Chambers Maid”, como é chamada a instalação, é um trabalho meditativo e representa uma perfeita conjunção entre o natural e o fabricado, entre o racional e o irracional.

Flooded Chambers Maid de Jessica Stockholder: Madison Square Park, 23rd St com 5th avenue. Até o 15 de agosto

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12/06/2009

COLUNA NOVA YORK POR NESSIA LEONZINI

ROMANCE


Michelle e Barack Obama vieram a Nova York namorar no último sábado à noite. Primeiro jantaram no Blue Hill, um restaurante “low key” do Village e depois foram ao teatro, na Broadway. Escolheram bem.


* Blue Hill é muito querido e respeitado no meio gastronômico local. O dono, Dan Barber, é um pioneiro na culinária sustentável e já foi eleito uma das pessoas mais “influentes” pela revista norte-americana “Time”: os ingredientes dos pratos chegam diariamente da fazenda dele, que fica a 45 minutos da cidade, e o menu sazonável conta sempre com deliciosas surpresas. A lista de vinhos apresenta ótimas opções de preços. O Blue Hill tem só 55 lugares, o clima é bem silencioso e muito romântico.


* Ah... Os Obamas foram assistir “Joe Turner’s Come and Gone”, um revival da peça de August Wilson que lida com a escravidão. Mais politicamente correto, impossível!


* Blue Hill: Washington Place, 75, entre a 6ª Avenida e a Rua Mac Dougal. Telefone: (212) 5391776.



TINTA


As três instalações do artista Charles Ray, numa galeria do Chelsea, estão sendo vistas pela primeira vez em 20 anos. A mostra é imperdível.  “Ink Line” [linha de tinta], de 1987, é um fluxo de tinta negra que viaja continuamente de um buraco do tamanho de uma moeda no teto para um buraco similar no chão. À primeira vista, parece uma linha estática e  à medida que se vai chegando mais perto, nota-se um movimento sutil no jato de tinta. Em seguida, tenta-se resolver o mistério de sua construção. Nada disso importa diante da simplicidade visual da linha preta e da complexidade imagética que ela comporta. 

* Charles Ray: Ink Line, Moving Wire, Spinning Spot, Matthew Marks Gallery, 523W24, até 27 de junho



 


PONTAS


Nesta temporada, o ballet Giselle, um dos favoritos do público de dança clássica, tem quatro bailarinas russas no papel principal. Entre elas, Nina Ananiashvili, que se aposenta no final da temporada. Ela é maravilhosa e sua Giselle cheia de paixão e de fouettés energéticos.


*Seus braços e pernas parecem esticar no vazio milagrosamente. Acompanhada pelo brasileiro Marcelo Gomes, formam um par ideal.


*Giselle: American Ballet Theater Metropolitan Opera House, no Lincoln Center.


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03/06/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Feltro


O feltro é um material feito a partir da fricçao de fibras de lã com a umidade. É versátil e flexível, de manuseio fácil e gostoso no toque. É usado na fabricação de móveis, nas áreas de arquitetura, design e moda. A mostra do Cooper Hewitt é fascinante e cobre tudo isso e muito mais.

Fashioning Felt

Cooper-Hewitt National Design Museum


Até 7 de setembro



Música


Com o verão, chega também o Mostly Mozart. A série musical, uma das mais queridas do novaiorquino, tem como atração principal o grupo de dança de Mark Morris. Junto a Yo-YoMa no cello e Emanuel Ax no piano, esse é um trio imbatível. Imperdível.

Mark Morris

De 19 a 22 de agosto

Mostly Mozart

Lincoln center

26 de julho a 27 de agosto


Palco


Nada como boas risadas para aliviar a recessão econômica. A peça "God of Carnage" tem um elenco estelar - James Gandolfini de "Os Sopranos" é maravilhoso - e um texto de  Yasmina Reza (Art, 1994) que conta a história de dois casais em meio a brigas. A peça está fazendo tanto sucesso que foi prorrogada até o 15 de novembro, com os mesmos atores. Em tempos de crise, essa é a melhor recomendação.

God of Carnage - Com James Gandolfini, Hope Davis, Jeff Daniels e Marcia Hayden-Guest

No Bernard B. Jacobs Theatre - 212 239-6200



Rock


Grizzly Bear – não se esqueçam do nome desse grupo que vem do Brooklyn e está conquistando o país. Lançaram seu primeiro disco há 3 anos, mas foi nesses últimos meses que o hype se espalhou de boca em boca, graças a apresentações lotadas em NY e Washington.  As orquestrações são poderosas e a harmonia musical tem prioridade sobre o ritmo, construído sobre estruturas musicais do folk e rock psicodélico. Confiram Veckatimest, o último lançamento. É tudo de bom.


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27/05/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Arte

Duas pinturas e dez desenhos que representam saunas, piscinas e banheiros públicos compõem a belíssima mostra da artista brasileira Adriana Varejão, numa galeria do Chelsea, em Nova York. Os azulejos que revestem esses interiores virtuais se desenvolvem a partir da complexa perspectiva que, por sua vez, forma uma ilusão de tridimensionalidade. Com maestria, a artista joga com planos de luz e sombra que atraem o olho, de primeira, e em seguida, a alma. Nas duas pinturas, uma delas monumental, Varejão demonstra o completo domínio da linguagem pictórica. A sensualidade e poesia predominam.

Two paintings and Ten Drawings

Lehmann Maupin Gallery

Até 10 de julho



Refletor

Times Square virou um palco iluminado! Inspirado no modelo dinamarquês, o prefeito Bloomberg fechou os quarteirões da Broadway entre as ruas 47 e 42 esperando assim diminuir o número de carros que circulam em Manhattan. E o que o povo fez? Puxou as cadeiras (as 350 cadeiras são cortesia de um grupo de homens de negócios) e instalou-se para curtir o carnaval de luzes dos anúncios, trabalhar no lap top, tomar banho de sol, ou simplesmente fazer uma pausa enquanto os carros se amontoam na faixa de trânsito. A opinião do novaiorquino, em geral, é positiva. Mas não se atreva a perguntar aos taxistas o que eles pensam dessa novidade.


Pechincha


Colecionar arte não é privilégio. Com paixão e apenas US$ 100 é possível comprar arte assinada por grandes artistas. E a venda anual da Acria - Aids Community Research Initiative of America - é um ótimo lugar para se começar uma coleção. A edição deste ano tem curadoria da artista Jane Holzer, que convidou artistas renomados como Kenny Scharf e Terence Koh, entre outros, para produzir edições de alta tiragem em fotografia e outras mídias que têm 100% de suas vendas revertidas às pesquisas da Aids. É isso mesmo: comprem arte e façam o bem.

Unframed 2009

até 3 de junho

15 Union Square West

US$ 20

Preços das edições a partir de US$ 100



Escorredor


A gastronomia novaiorquina é caracterizada por novidades culinárias que fazem uma aparição repentina e muitas vezes desaparecem de cena, do mesmo modo como chegaram. Mas o ramen – a sopa de macarrão japonês – , que fez uma entrada triunfal pela mão do chef  David Chang , do Momofuku , parece que veio para ficar. O novo templo do ramen é o Ippudo, no East Village, que faz parte de uma cadeia de mais de 50 restaurantes no Japão. Quem diria! O ramen do Ippudo feito artesanalmente e preparado com ingredients frescos, vegetais e carnes que emanam um cheiro delicioso que vai até a rua. E por US$15 não se pode comer melhor. Atenção: não se reservam mesas e as filas lá fora são longas.

Ippudo

65 Fourth Avenue com a Rua 9

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20/05/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Moldura


Este ano marca o centenário de um dos grandes pintores do século 20, o inglês Francis Bacon, nascido em Dublin, em 1909. Para celebrar a data, o Met abre uma retrospectiva, a primeira em mais de 20 anos, da qual fazem parte 130 trabalhos que cobrem os períodos mais significativos de sua longa carreira. A mostra apresenta uma reavaliação da obra de Bacon a partir de arquivos que apareceram depois de sua morte, em 1992.  A pintura de Bacon lida com personagens tortuosos, figuras expressivas, dominadas por fortes emoções,cheias de mistério e, curiosamente, muito  sofisticadas.  São telas que continuam a chocar.

Francis Bacon: A Centenary Retrospective

Metropolitan Museum of Art

Até 16 de agosto




Expansão

A ala de Arte Americana do Met, The American Wing, está de cara nova, a um custo de US$ 100 milhões. Valeu a pena. O pátio, que era sóbrio e sem graça, desfruta, agora, de ampla luz do sol que entra pelos janelões de vidro: a vista para o parque é linda. Os elevadores transparentes levam às galerias de artes decorativas em que estão os quartos de época, que vão de aposentos do século 17 à sala de estar de Frank Lloyd Wright, em pleno século 20. Outra novidade está no mezanino, especialmente restaurado para acomodar a belíssima coleção de cerâmicas americanas do colecionador Robert Ellison: as 300 peças em exposição formam um bom exemplo de uma arte que muitas vezes passa despercebida.

The New American Wing: The Charles Engelhard Court and the Period Rooms

The Metropolitan Museum of Art




Ângulo

O fotógrafo Leonard Freed faz parte de um grupo que praticou o que hoje se chama de “fotografia engajada”, o fotojornalismo de natureza sócio-politica. Nos anos 1960, quando o sul do país era ainda segregado, Freed registrou a vida diária do negro norte-americano em atividades rotineiras: o gospel, as ruas, a vida nas prisões, os concursos de beleza. Não se envolveu muito nos movimentos de direitos civis, mas suas imagens expressam,  melhor do que ninguém,  o espírito e a força das minoridades norte-americanas e a discriminação de então. Estas fotografias emocionam até hoje.

Leonard Freed

Black in White America

Até  13 de junho

Bruce Silverstein Gallery



Hall


Será que o novo Cooper Square Hotel vai poder competir com o The Standard? O edifício de vidro de 21 andares, do arquiteto americano Carlos Zapata, tem seu charme. É administrado por Klaus Ortlieb, que vem do Claridge’s de Londres, está bem localizado, no Bowery, do lado da Cooper Union, na boca do East Village, tem um terraço maravilhoso com uma vista de Manhattan de cair o queixo, a escala é íntima e os quartos, pra lá de charmosos. Na arquitetura, incorporou um “tenement”, um predinho típico dos velhos tempos com os seus moradores. E os preços? São muito muito mais altos do que no The Standard. Começam a US$ 375 e vão até US$ 1 mil. No momento de recessão galopante, isso conta.


Cooper Square Hotel

25 Cooper Square


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13/05/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Tour de force

São 750 quilos de especiarias, incluindo gengibre, cominho e cravo; 3 quilos de flores de lavanda e outros 3 quilos de flores de camomila; 182 quilos de areia, 35 quilos de arroz, 35 quilos de pedregulhos de rio, milhares de metros de tule de poliamida, centenas de quilos de bolinhas de isopor, entre outros materiais, que constituem a monumental instalação do artista brasileiro Ernesto Neto. Anthropodino, como é chamada,  tem 59m de comprimento, 37m de largura, 21m de altura e praticamente cobre a extensão do gigantesco hall do Armory, na Park Avenue, num momento de convergência única entre arte e arquitetura, magia e surpresa, admiração e pasmo. É o maior trabalho escultural de Neto. O artista consegue extrapolar o espaço físico intimidante do Armory dominando e , ao mesmo tempo, transformando as linhas rígidas do edifício num fluido harmonioso de formas orgânicas e sensuais. Toca-se , cheira-se, deita-se, anda-se por Anthropodino. Não existem limites, o artista está nos dizendo. A arte é viva, vivam a arte.

Ernesto Neto

Anthropodino

Wade Thompson Drill Hall

Park Avenue Armory,  Park Avenue com Rua 67

Até 14 de junho



Ícone

Há sempre uma mulher atrás de um grande homem, dizem os sábios. E, no mundo da moda, um grande modelo atrás de um costureiro. O papel da Musa no universo fashion é o de personificar o ideal de beleza, e o da fotografia de moda, de documentar as transformações na sociedade e nos costumes do momento –  essa relação recíproca é a premissa da exposição do Met. Mas, infelizmente, o que se vê no museu é uma foto atrás de outra, uma roupa e mais uma, sem que a profunda simbiose entre modelo e designer transpareça. A mostra é  uma carinhosa homenagem  às supermodelos (dos anos 1947-1997) - Linda, Naomi, Christy, Cindy - imediatamente identificadas pelo seu primeiro nome, e às pioneiras, Donyale Luna, Twiggy, Lisa de Fonssagrives, Lauren Hutton, Suzy Parker, Peggy Moffat, Verushka, Jean Shrimpton. Elas estão todas no Met, de uma forma ou de outra, adornando as paredes com sua graça e beleza, mas onde está o conteúdo? Não deixa de ser um prazer revisitar fotografias icônicas como Dovima com Elefante, de Richard Avedon, ou o filme radical de William Klein, “Quem tem medo de Polly Magoo”, grande inspiração dos anos 1960.

The Model as Muse: Embodying fashion

Até 9 de agosto

Metropolitan Museum of Art



Platão

Na majestosa mansão da rua 79, em pleno Upper East Side, em uma das partes mais chiques de Manhattan, ensina-se filosofia e as alegrias da vida. A escola que se chama School of Practical Philosophy é uma espécie de Casa do Saber com cursos sobre os transcendentalistas norte-americanos - como Ralph Waldo Emerson -, aulas de meditação e tópicos como felicidade, amor, liberdade e presença de espírito. Os segredos do universo, desse jeito, ficam até mais fáceis de serem compreendidos.

School of Practical Philosophy

12 East 79th Street


 


Hotelaria

Em poucos meses, o Standard se transformou no pouso mais descolado da ilha. A modernidade do edifício de 20 andares de Todd Schlemann, da Polshek Partneship Architects, agrada aos estetas - no arrojado vão livre sente-se a inspiração de Lina Bo Bardi - enquanto o profissionalismo do hotelier André Balazs provê um serviço e staff impecáveis. Além do mais, os preços acessíveis acomodam as duras penas da recessão. O terraço é um ótimo lugar para ver e ser visto no final de tarde. Atenção: as banheiras, que ficam bem no meio dos quartos, têm vista de 360º. Mas privacidade, nem tanto.

The Standard

848 Washington Street


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06/05/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Paz e amor


Em 1983, no auge da perseguição chinesa, alguns monges budistas escaparam do Tibet e se refugiaram num monastério do século 14, o  Rato Dratsang, no estado de Karnataka, no sul da India. Outros monges seguiram e hoje são 120, que se dedicam ao estudo da lógica budista sob a tutelagem de Sua Santidade, o Dalai Lama. Um deles, o monge Nicholas Vreeland, neto da legendária Diana Vreeland, é um excelente fotógrafo que trabalhou com Richard Avedon e Irving Penn, em NY, antes que sua vida mudasse drasticamente de rumo: hoje é um dos braços direitos do Dalai Lama. Vreeland documentou, em comoventes imagens em PB, a vida diária dos monges e a natureza local. Uma mostra itinerante, que começa em Nova York, apresenta 20 fotografias cuja venda será inteiramente revertida à restauração e preservação do monastério. Os mais generosos ganham um presente muito especial… É, o zen compensa.


Photos for Rato

Nicholas Vreeland


18 de maio, das 15h às 21h

Aurora Lopez-Talavera Studio

145 Avenue of the Americas, entre a Dominick e a Spring Street

Rato Dratsang Foundation




I Love Brazil


Já era tempo! A lojinha do MoMA está festejando o design brasileiro com 75 objetos que evocam “as cores e formas do país”… whatever, como de diz por aqui. Mas é ótimo ver o Banquinho Mocho de Sérgio Rodrigues, a Cadeira Paulistana de Paulo Mendes da Rocha, as bolsas de Gilson Martins e objetos de casa dos irmãos Campana nas prateleiras do MoMA Store entre as muitas outras belezuras do nosso Brasil.

MoMA Design Store Destination: Brazil 



Arte


No norte de Uganda, meninos de menos de 10 anos de idade são obrigados a matar enquanto  meninas sequestradas, e ainda mais jovens, são transformadas em escravas sexuais. Essas são duas das formas mais hediondas do tráfico humano que assola alguns países da África contemporânea. O artista plástico norte-americano Ross Bleckner achou uma maneira de ajudar e viajou para Gulu, no norte da Uganda, onde tomou parte de um programa de reabilitação das crianças vítimas da guerra. Bleckner foi o primeiro e outros artistas estão seguindo a sua iniciativa. Arte é terapia e a prova está na exposição composta por 200 pinturas à mostra nas Nações Unidas.


Welcome to Gulu

Nações Unidas

United Nations Office on Drugs and Crime

International Criminal Court Trust Fund for Victims


Paixão


Arte e vida se confundem no trabalho da artista francesa Sophie Calle. Quando ela recebeu uma carta do seu amante terminando a relação amorosa, Calle pediu a 107 mulheres para que  interpretassem o “fora” do ponto de vista professional de cada uma. A instalação, que fez parte da última Bienal de Veneza, examina as possibilidades das emoções humanas em todas as áreas - antropológica, criminológica, filosófica, humorística, etc. Até um papagaio faz parte do repertório! Maravilhoso.


Sophie Calle

Take Care of Yourself

Até 6 de junho

Paula Cooper Gallery

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30/04/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Oriente


Os fãs de anime e manga vão curtir essa bookstore estocada com revistas em quadrinhos, vídeos, brinquedos e outros encantadores divertimentos exportados do Japão. A primeira livraria Kinokuniya abriu em Tokyo em 1927 e hoje é a maior do país com uma matriz de 9 andares. Em assuntos culturais populares – gastronomia, jardinagem, tatuagem, origamis e outros, esotéricos - é a mais completa.

Kinokuniya bookstore

1073 Avenida das Américas

212 8691700



Sem lenço


Cadillac Man é o desabrigado mais famoso de NY. Há 16 anos transita pelas ruas, dormindo, por muitos anos, na última parada do metrô N, em Astoria, debaixo do viaduto da Rua 33. Histórias não lhe faltam: Cadillac anotou os fatos de sua vida diária em cadernos que foram transformados, em seu abrigo urbano, em um livro de memórias, “Land of the Lost Souls”. Na próxima terça-feira, lê passagens  na Barnes and Noble do Village, na Rua 8. É um personagem! Ah... e ganhou o seu apelido depois de ter sido atropelado por três diferentes carros da marca Cadillac, nos anos 90.


Land of the Lost Souls, escrito por Cadillac Man

Editor: Bloomsbury

Amazon.com



 


Luvas


Mike Tyson ganhou o campeonato mundial de pesos pesados aos 20 anos de idade, o mais jovem a conquistar o título. Era um verdadeiro fenômeno, de uma rapidez inigualável. Admirado por outros gigantes da boxe como Muhammad Ali, Tyson se tornou um ícone da cultura popular. Um excelente documentário, dirigido por James Tobak, conta a história do pugilista com todos os momentos que coloriram a sua vida atribulada:  a famosa entrevista com Barbara Walters quando foi publicamente humilhado pela mulher Robin Givens; as mordidas na orelha de Holyfield, quando foi banido de competir por um ano; a cadeia quando foi acusado de assédio depois de ter sido jurado num concurso de Miss América; as brigas com o empresário Don King. O filme é narrado por ele mesmo. Nas telas, vê-se um personagem complexo, cheio de contradições, bem articulado e rico em emoções, brutal, vulnerável e triste ao mesmo tempo... Depois de assistir a “Tyson”, é impossível pensar no boxeador como um ser humano simplório de tendências animalescas, como foi regularmente retratado na mídia.


Tyson

Dirigido por James Tobak, narrado por Mike Tyson



Instalação

O varandão do Met está transformado. O artista Roxy Paine ali instalou um trabalho impressionante, fabricado com sete toneladas de canos soldados que formam um enorme “dendroid”, como ele chama o emaranhado de formas que se entrelaçam e  se estendem por 130 pés de comprimento. A escultura Maelstrom é um hino de amor à natureza e aos feitos do homem. Maravilhoso.

Roxy Paine in the Roof: Maelstrom

Metropolitan Museum of Art

Terraço, até 25 de outubro


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23/04/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Palco


Ethan Coen, o irmão de Joel – conhecidos como os Coen Brothers no mundo do cinema -  escreveu uma série de comédias em um ato que sobe aos palcos nova-iorquinos esta semana.  A direção é de Neil Pepe e o casting inclui o fabuloso F. Murray Abraham.

Offices

Atlantic Theatre Company – 336 West 20th street

212 719 1300



Livro de ouro


Alguns grandes escritores contemporâneos se reúnem para celebrar os 50 anos de carreira do maior deles, Philip Roth, que escreveu  “Goodbye Columbus” - Adeus Columbus, 1959 –, seguido, 10 anos depois,  pelo icônico “Portnoy’s Complex” - O complexo de Portnoy. Um dos personagens mais conhecidos de Roth é  Nathan Zuckerman, um jovem escritor e o seu alterego, protagonista de muitos de seus livros.  Roth escreveu mais de 30 livros e tem outro lançamento em breve. Da mesa redonda, participam Joyce Carol Oates e Greil Marcus, entre outros. Vai ser um evento literário de primeira ordem.

Dia 28 de abril

Queeen College, em Flushing



Lurex


E como está a geração 1980? Muito bem obrigada e brilhando nas paredes do Met. Os 30 artistas fazem parte do grupo “Pictures Generation”, um dos mais importantes movimentos de arte do final do século 20 e que inclui nomes como Cindy Sherman, Richard Prince, David Salle, Laurie Simmons, Robert Longo, entre outros. É uma geração de artistas que cresceu na sociedade de consumo de massa: no admirável mundo novo, em que a televisão é a referência da informação e da estética, eles se apoderam livremente de imagens pré-existentes subvertendo assim a representação da realidade. Esse exercício redefiniu a fotografia e o conceito próprio da autenticidade e originalidade na obra de arte. Os artistas do “Pictures Generation” nasceram no pós-Guerra, foram educados no minimalismo e conceitualismo, mas se afastaram desses movimentos seduzidos pela saturação visual dos meios de comunicação -  publicidade, filmes, revistas e televisão – reintroduzindo o vocabulário imagético na arte contemporânea.  Passados mais de 30 anos, a arte continua vigorosa, perceptiva e radical.

The Pictures Generation: 1974-1984

Metropolitan Museum of Art

Até 2 de agosto



Sacolão


A cidade continua em ritmo de recessão, mas para Isaac Mizrahi são tempos de glória. O designer acaba de lançar mais uma coleção para Liz Claiborne com saias a US$ 79 e US$ 49 - mais caras do que a sua linha Target, mas mesmo assim muito acessíveis. As roupinhas estão fazendo o maior sucesso na Macy's e, ao lado da divertidíssima TopShop, a mega loja inglesa que acaba de abrir no Soho, são o hit da temporada.



 


 

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15/04/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Lado A


Graydon Carter, editor da "Vanity Fair", concebeu o restaurante Waverly Inn como um clube privado - as reservas tem que ser feitas através uma linha de telefone vip e aprovadas por ele mesmo -, mas seu novo business, o Monkey Bar, que abre esta semana em Uptown, será bem mais democrático. Pelo menos, é o que se diz por aí. Carter renovou o bar, um estabelecimento dos anos 40, com muito bom gosto; conservou o seu caráter “inglês”, restaurou os painéis que decoravam as paredes e encomendou ao ilustrador e cartunista Edward Sorel um afresco para a sala de jantar. O todo é muito chique, mas quem foi aos "tastings" só protestou de uma coisa: a comida. Em Uptown, esse detalhe não tem desculpas.


Monkey Bar

60  East 54th Street

Fone ( para recados): 212 3082950



Lado B


Charles é mais um restaurante de Graydon Carter e está localizado na esquina da Rua 4 com a 10. Abriu há pouco e acaba de receber zero estrelas do crítico do "NYT", que reclamou de tudo - desde os jornais velhos que “decoram”a fachada até a falta de um número de telefone. O Charles só aceita reserva por email ou em pessoa - bom, os privilegiados podem chamar a famosa linha vip. Vive cheio de celebridades e jovens antenados apesar da pobre gastronomia. Em Downtown, esse detalhe é perdoável...

Charles

234 West 4th Street (com West 10th Street)

Reservas aqui


 


Fim de semana


Atenção, corrijam a agendinha: a partir de 16 de maio, o Guggenheim fica aberto até mais tarde aos sábados - e não às sextas. Entre 5h45 e 7h45, paga-se o que quiser, estilo "Met". Vale a pena, já que as entradas custam o absurdo: US$ 18 por adulto.

Informações no site



Cordas


É aniversário de 70 anos do famoso selo Blue Note, que gravou todos os gigantes do jazz do século 20. A celebração é no Birdland e a lista de músicos que participa forma o "quem é quem" do jazz contemporâneo: o saxofonista Ravi Coltrane, filho de John, o pianista Bill Charlap, o guitarrista Peter Bernstein, o baixista Peter Washington e o baterista Lewis Nash. Uma turma de primeiríssimo time.


Birdland

212 5813080

até 19 de abril 


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08/04/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Twittando


Além do estado da economia e das roupas de Michelle Obama, o assunto do dia é o Twitter. É a mais nova mania na Internet, ameaçando até Facebook, em popularidade. Funciona assim: uma vez registrado, o usuário “acompanha” outro usuário do site que pode ser uma celebridade, um canal de noticias, um amigo, um novo contato. Como? As caixas de entrada são abertas a todos, é só clicar. Quem twitta renova as informações de sua caixa constantemente, isso vale para todos, inclusive famosos.Para saber aonde Madonna está jantando, por exemplo, é só twitar a Diva; a informação deve estar lá. Claro, funciona tambem como um ótimo instrumento na divulgação rápida de notícias. É revolucionário, até a próxima novidade.


Twitter.com



 


Rodas


Outra novidade: a bicicleta elétrica. O visual é clássico e arrojado, mas Tailwind é acionada por baterias. Ai que delícia, principalmente em subidas... Claro que elas podem ser desligadas num momento saudosista – aí é só pedalar. O preço é azedo: US$3.199. Quem disse que versatilidade é barata?


Tailwind, electric bike


Paragon Sporting Goods


paragonsports.com



 


Tendência


A primavera está batendo às portas e logo logo os casacões vão passar para o armário de frio. É reconfortante saber que o pretinho básico se aposenta por uns meses e que as cores da próxima temporada são fortes – até neons e fosforescência já apontaram no calendário - com toques anos 80. Um dos hits do designer de sapatos Christian Louboutin são as sandálias de salto alto em hot pink, assim como a bolsa de neoprene da Tod’s , as calças de ginástica da Wink, a nova linha de relógios da Toy Watch e daí vai. Os homens estão adorando os "bras" de renda colorida que despontam debaixo dos chemisiers. Muito sexy...



 


Carrara


O mármore é um material natural que, com o tempo, desenvolveu um rico vocabulário visual e tambem um simbolismo mutante. Nossos ancestrais neolíticos esculpiam, no mármore, representações primárias da forma humana; os gregos e romanos adoravam este material e construiram com ele não só esculturas mas edifícios belíssimos que sobrevivem até hoje; no Renascimento o mármore ganhou um significado expressionista que foi desenvolvido pelos artistas posteriores. Através da história, o mármore está ligado a tradições artisticas e espirituais e sua aura transcende a noção de tempo. Essa mostra, simplesmente chamada Marble, traz obras que vão desde as abstrações cicládicas de a.C. a uma delicada cabeça renascentista que já pertenceu a Andy Warhol, até as formas biomórficas de Constantin Brancusi, Alberto Giacometti e Isamu Noguchi e às geometrias austeras de contemporâneos como Carl Andre e Brice Marden. Não percam, são os ultimos dias.


MARBLE


Gagosian Gallery


Até 11 de abril


 Gagosian.com


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02/04/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Alfabetos


 


A linguagem é o elemento visual básico da obra de dois artistas: o argentino Leon Ferrari ( n. 1920) e a brasileira Mira Schendel (1919-1988). E os dois estão em exposição no MoMA com trabalhos realizados entre os anos 60 e 80 quando a semiótica teve um papel fundamental na cultura ocidental e o uso de letras, palavras e textos eram incorporados como componentes funcionais por artistas do mundo todo. Mas, diferentemente, na obra de Schendel e Ferrari a preocupação central é a noção da linguagem como metáfora da existência humana.


São cerca de 200 trabalhos em vários meios de expressão – cerâmica, pinturas, esculturas, instalações e desenhos – mostrados lado a lado com a intenção de justapor os temas comuns aos dois artistas, segundo o curador Luiz Perez-Oramas.


A exposição peca pelo excessivo número de obras apresentadas; trata de estabelecer, sem suceder plenamente, um diálogo entre eles, apesar de que os dois nunca se conheceram- mas seguiram caminhos por vezes paralelos.


A falta de espaço para que as obras respirem independentemente é evidente. A importância dos dois artistas- Ferrari lírico/Schendel radical- numa situação ideal, justifica mostras individuais. Mesmo assim, deve-se aplaudir com entusiasmo a introdução dos nomes de Schendel e Ferrari ao grande publico norte-americano.


 Tangled Alphabets: León Ferrari and Mira Schendel


Até o 15 de junho no Museu de Arte Moderna, MoMA – galerias do 6° andar


 www.moma.org



 



TOPStop


 


Finalmente, a TopShop abriu em NY! E no momento certo. A nova mega loja fica na Broadway com a Broome, em pleno Soho, e traz a linha complete da matriz de Londres, incluindo a coleção Kate Moss, o hit entre a garotada. Os preços são superacessiveis. Corram, porque as roupas vão voar das prateleiras. TopShop


Broadway com Soho


Abertura 2 de abril as 11h.



 


 


33 Anos Cinquenta artistas de 25 paises, todos nascidos depois de 1976, fazem parte da primeira Trienal do New Museum, a abertura mais esperada da temporada. São mais de 150 trabalhos reunidos na exposição que se chama “Younger Than Jesus” ( mais jovem do que Jesus). Um título muito adequado! Pena que a mostra não inclua brasileiros…


Younger Than Jesus


New Museum


De 8 de abril a 14 de junho


 www.newmuseum.org



 


 Violinos


 


A tecnologia também chegou ao Carnegie Hall. No dia 15 de abril a Orquestra sinfônica doYouTube, com um grupo de 96 instrumentalistas selecionados em audições virtuais, vão fazer o seu debut na sagrada instituição. Quem conduz é o maestro Michael Tilson Thomas. Uma idéia maravilhosa que pode abranger jovens musicos do mundo todo…


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26/03/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Recorde


Joguem fora seus pés de pato. A novidade para os que querem nadar mais rápido do que o campeão olímpico Michael Phelps é uma nadadeira em forma de barbatana de golfinho. Inventada por um engenheiro da Georgia, a nadadeira se chama Lunocet, é feita de fibra de carvão, pesa não mais do que um quilo e mede uns 80 cm. Vem em 5 cores e custa US$ 1.500. Para se sentir um James Bond, até que não é muito...

Lunocet

http://lunocet.com/


 


Broadway


Depois de anos de ausência, o dramaturgo Eugene Ionesco, do “Teatro do Absurdo”, retorna à Broadway com a peça “Exit the King”, com representações de dois grandes atores, Susan Sarandon e Geoffrey Rush. É a estreia de Rush nos palcos nova-iorquinos e o retorno de Sarandon, 37 anos afastada da Broadway. A peça conta a história de um rei louco de 400 anos de idade que, devagarzinho, assiste ao declínio de seu império. A peça retrata, em tempo real, as últimas duas horas de Berenger, o monarca. Os paralelos políticos são óbvios. Resta ver se emplaca com o público.

Exit the King

Susan Sarandon e Geoffrey Rush

Barrymore Theatre

Fone: 212 2396200

http://exitthekingonbroadway.com/



Picasso


Nos últimos anos de vida, Pablo Picasso pintou, obsessivamente, figuras de mosqueteiros, matadores, mulheres fantasmagóricas e tortuosas, com óbvias referências à história da arte ou decorrentes de suas fértil imaginação. A mostra, que abre essa semana na Galeria Gagosian, conta com 45 pinturas e mais de 50 gravuras, datadas de 1962 a19 72. Quem organiza a exposição é o excelente John Richardson, que já escreveu tres livros sobre a vida do artista, com mais um em progresso – considerada a biografia definitiva. Richardson tem a vantagem de ter sido amigo de Picasso quando morou no sul da França nos anos 1950. Esta revisão histórica da última fase produtiva de Picasso abre no Chelsea, a meca da arte contemporânea, um local perfeito para o mais vivo e atual grande mestre do século 20.

Pablo Picasso

Mosqueteros

Gagosian Gallery- 522 West 21st Street

Até 6 de junho

newyork@gagosian.com


Arquitetura


O Alice Tully, no Lincoln Center, está de cara nova. O projeto da Diller Scoffidio&Rentro estabelece um senso de espetáculo ( e espetacular) à sala de concertos desenhada em 1965, no estilo brutalista. Os arquitetos conservaram o espirito “velho”do hall de música e ao mesmo tempo injetaram energia e audácia num edificio que estava precisando, urgentemente, de um pequeno lift. Maravilha.


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18/03/2009

COLUNA NOVA YORK - POR NESSIA LEONZINI

Papel


Cento e vinte trabalhos em papel cobrindo 500 anos de história do Renascimento ao começo do século 20 por grandes mestres como  Rembrandt  e Van Gogh compõem a belíssima exposição do Met. A visita constitui um verdadeiro prazer.


Raphael to Renoir: Drawings from the Collection of Jean Bonna

Metropolitan Museum of Art

Até 26 de abril




Oriente


Artistas norte-americanos têm fascinação pelas culturas orientais,  onde muitas vezes encontram sua fonte de inspiração. De James McNeil Whistler a Agnes Martin, essa mostra prova que a arte moderna não é um conceito exclusivamente Ocidental. São mais de 200 obras entre pinturas, esculturas, vídeos e performances.


The Third Mind: American Artists Contemplate Asia 1860-1989

Guggenheim Museum

Até 1 de abril




 Álamo


O cubo preto de aço é do artista Tony Rosenthal e foi a primeira obra pública contemporânea a ser instalada em Manhattan, em 1967. O cubo apresenta recortes em suas faces, equilibra-se em uma de suas vértices e gira, com um empurrão. Se chama Álamo, mas é conhecido como “The Astor Place Cube” , - o cubo na Astor Place - um ponto tradicional de encontro, em downtown.


"Alamo", 1967

Ferro pintado, 4,5 mx4,5mx4,5m



Livraria

Compre um livro e faça o bem. Os livros são doados e a renda é revertida a instituições de apoio aos desabrigados e portadores do vírus HIV. A livraria  é aconchegante e possui um arquivo de cerca de 45 mil livros novos e usados.  Além das barganhas, é possível encontrar raridades.


Housing Works bookstore

126 Crosby- Houston & Prince St.




 

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05/03/2009

Calendário

Nessia Leonzini

A primeira retrospectiva norte-americana de Martin Kippenberger (Alemanha 1953-1997) está em cartaz no MoMA e cobre 20 anos de carreira do artista. Kippenberger morreu jovem, aos 44 anos, de cirrose, e deixou uma obra extremamente influente. A sua vida e o seu trabalho questionam, sempre, o papel do artista na cultura e no sistema da produção artística. Ele foi também um empresário, curador, performer, colecionador, arquiteto e editor, inspirando-se na linguagem popular, história, música, arquitetura e, sobretudo, nas experiências pessoais. Com humor e criticismo, desafiou as normas de produção artística e inventou um mundo abrangente em que a arte não tem começo nem fim.Os desenhos, esculturas, pinturas, instalações, cartas, fotografias e livros demonstram a complexidade do trabalho deste excepcional artista.


 


Martin Kippenberger: The Problem Perspective

Até 11 de maio

Museu de Arte Moderna de NY


 

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05/03/2009

Badulaques

Nessia Leonzini

A Armory, a maior feira de arte contemporânea de NY, está em cartaz no Pier 94, no West Side de Manhattan. A expectativa é grande: esta é a 10ª edição e conta com a participação de 160 galerias de 21 paises e 2000 artistas representados por elas. Esperam-se cerca de 60 mil visitantes. Neste ano, uma novidade: pela primeira vez, uma feira paralela de arte moderna , com foco na segunda metade do século 20 , vai fazer parte da Armory. Quantos compradores virão? Esta é a pergunta que preocupa os marchands que viram os preços caírem em até 50% nestes meses terríveis de crise. Vamos torcer pela arte, sempre.


 


The Armory Show

Do 5 a 8 de março

Pier 94 (e Pier 92) na 12th Avenue (West Highway) com Rua 55th

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05/03/2009

Multimarca

Nessia Leonzini

Uma nova lojinha na linha “conceito” e cheia de charme acaba de abrir no Soho.  Fofuras para as crianças, design para a casa e acessórios indispensáveis fazem parte das prateleiras. O bom gosto e a tradição europeia reinam na Kisan .


 


Kisan Concept Store

125 Greene Street

Soho

 

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05/03/2009

Vida nova

Nessia Leonzini

Ainda bem que a Minetta Tavern foi parar nas mãos do restaurateur Keith McNally!  Ele prometeu conservar o caráter do local de 72 anos, que foi “hang-out” de ilustres escritores como Ezra Pound e  Ernest Hemingway e outros mais da geração Beat que frequentavam o Greenwich Village nos anos 50 . Até o seu porão teve um momento de glória: foi lá que o Reader’s Digest começou ,em 1922. Em tempos mais recentes, o Minetta era ponto de encontro dos boxeadores depois das lutas. Os murais, fotografias e caricaturas vão permanecer nas paredes históricas  assim como a decoração original.  O que vai mudar, com certeza, será a clientela: a partir desta semana, esse é o novo point de Manhattan.


 


Minetta Tavern

113 McDougal Street, esquina com Minetta Lane

Telefone: 212 4753850

 

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26/02/2009

Bananas, sim


A causa de todos os males da América Latina está no seu produto mais típico: a banana. Esta é a premissa do novo livro de Peter Chamam, que aborda o assunto de cabo a rabo. Aliás, um dos moradores de Macondo, no livro “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Marquez, já havia declarado que a confusão começou quando os latinos convidaram um gringo para comer bananas. Se querem saber por que as multinacionais e as "bananas republics" se dão tão bem, leiam o livro. É divertido, informativo e polêmico.


“Bananas– How the United Fruit Company Shaped the World”
Peter Chapman
Publicado por Canongate
US$ 24

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26/02/2009

Segunda chance


Robert De Niro triunfou como restauranteur(Nobu, Tribeca Grill), mas a cuisine de seu novo hotel em Tribeca não decolou. O ator chamou Andrew Carmellini, que deixa o Café Bouloud, para reformular não só a gastronomia, mas também o espaço: a capacidade para 200 pessoas cai pela metade e um bar vai ocupar parte da casa. Quer transformar o Ago num restô descontraído. Vamos ver...


Greenwich hotel
Ago Restaurant

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